28 de dez de 2011

Jogo da vida: sua vez.

- Ué, mas não era isso o que você queria? - perguntei à ela.

Aquela frase não nascia de mim, mas brotara de um texto alheio. Já fazia tanto tempo...

- Sim, era isso - ela me respondeu.

- Então? - disse eu dando ombros.

- Não sei - disse ela dando ombros.

Ela ficou me olhando. Tão bonita e tão certa. Continuou:

- Eu coloquei o feitiço, eu tiro o feitiço - ela me olhou com firmeza.

- E deu certo, bruxinha. E agora? O que te falta?

- Nada - ela sorriu, tentando se entender.

- Então? - perguntei, tentando entendê-la - Por que parece que tem algo errado?

- Tomar a decisão mais acertada e sensata faz com que eu me sinta estranha.

- Mas será que foi certa mesmo?

- Nah. Não sei. E tem coisas acontecendo completamente fora do meu controle.

- Ou da sua compreensão, suponho - tomei um trago - Estou só especulando...

- Eu não tenho a mínima ideia do que fazer, de verdade. Não sei como cheguei até aqui, não sei como sair e pior: estou me divertindo.

- Claro que está! É bom estar do outro lado para variar... Cansa demais ter sempre o mesmo papel. Então você está gostando dele?

- Dele quem? - ela me olhou furtiva.

- Do seu novo papel, oras - torci o nariz.

- Estou. Estou... tentando entender.

- Quem?

- O quê. Meu novo papel.

- Não dá para racionalizar menos e sentir mais? - arrisquei.

- Não - ela respondeu categórica.

- Entendo - menti.

- E o feitiço não foi desfeito... - ela olhou com pesar.

 - Parece que você não tem tanto poder quanto imaginava - especulei.

- Coisas além da minha compreensão... ou do meu domínio. Para todas as outras, meu jogo, minhas regras.

- O problema é quando o jogo envolve duas ou mais pessoas. Aí não é mais tão simples assim: uma vez que o jogo é partilhado, as regras também são.

Ouvindo Disparada (Jair Rodrigues)

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