15 de jul de 2013

10 coisas que eu já sabia, mas é sempre bom lembrar

1) Vontade: Vontade dá e passa. O mesmo para a saudade. Quando dá vontade de matar a saudade então, poutz, complicado. Mas, no fim, tudo passa - sem que muitas vezes você tenha que mover uma palha. A gente sempre vai ter vontades (somos seres humanos, não?), só não dá para atender a todas, por isso, eu escolho, escolho quais atender, quais guardar na gaveta e quais engolir em seco - não poderão ser atendidas por causa de X, Y e Z. Mas, quer saber, ninguém morre por passar vontade. Então, o negócio é deixar que elas passem por nós.

2) Vitimização: Um dia a ficha caiu e eu percebi que não era vítima coisa nenhuma de nadinha desse mundo. Faz alguns anos e nem preciso dizer como foi um dia feliz! Mas, mais feliz ainda eu fiquei ao me dar conta de que algumas pessoas, que antes eu julgava vítimas de certas situações, não eram vítimas de nada também. Afinal, estamos todos bem grandinho e aguentamos ficar sem o sucrilhos de chocolate, não? Principalmente, quando foi você quem esqueceu de comprá-lo - o que me leva ao...

3) Livre-arbítrio: Cada um decide o que fazer da própria vida. Cada um decide estragar a própria vida - e ninguém tem nada com isso. Posso até tentar ajudar, oferecer um ombro, um outro ponto de vista, meu coração numa caixinha de presente com fitilho, mas, como não está nas nossas mãos decidir a vida alheia. Uma vez me disseram que "cada um é problema seu" e não gostei, mas acho que entendi: o meu poder perante o outro é limitado e é essencial respeitar o espaço e as vontades do outro.

4) Sinceridade: Parte da população não sabe o que é e outra pensa que sabe. Uma minoria já entendeu. Sinceridade não é grosseria, não é bancar o bipolar, não é despejar no outro aquilo o que te incomoda em você mesmo. E dificilmente sabe-se lidar com gente sincera. Exemplos mil:  Logo de cara, o outro te conta como é e não entende porque você vai embora; o outro te pergunta como você se sente sobre determinado aspecto e, quando você diz, o outro perde o chão etc. Penso muito que o que pode machucar mais é como se diz as coisas, afinal, as palavras têm força. Contudo, também penso que ficar 'protegendo' as pessoas do que elas precisam saber e ouvir, usando palavras adocicadas e desculpas esfarrapadas não ajuda não.

5) Resignação: Olha, é um alívio. Um dos maiores alívios que um ser humano pode ter, ouso dizer. Não é o nó na garganta, o choro preso, as insônias persistentes, as lágrimas que desidratam, o drama inconformado das frases passivo-agressivas postadas no Facebook. Resignação é libertação, quando você reconhece: "Tentei e tentei, mas não deu. Tudo bem", mas é um "tudo bem" sincero - e te faz perder dez os quilos invisíveis que estiveram nas suas costas nos últimos anos.

6) Laços: Se um não quer, dois não atam. E sempre tem um espírito de porco para errar no verbo e atear fogo em tudo, só para ver o circo pegar fogo. O fato é que as pessoas temem se relacionar umas com as outras - e não estou só falando da relação homem-mulher. É individualismo demais e um medo absurdo de criar e aprofundar laços. Medo ou desinteresse, não sei, mas acho que é problema de qualquer modo. Tudo descartável e simples assim. Ninguém quer mais se doar. Não quer ou não sabe - o que é pior? Um amigo me disse que tudo isso 'dá trabalho'. Pois é, boas coisas da vida dão trabalho. Pessoas, por exemplo, e tudo aquilo que elas podem representar em nossas vidas. Mas... Livre-arbítrio alheio. Uma pena. Cada um se fechando no seu casulo, sem saber que nunca vai virar borboleta assim.

7) Silêncio: É uma benção, para todos os momentos, sabe? Vontade de falar o que vem na telha porque tá fulo fulo da vida! Mas 'cê sabe que não vai resolver, que de cabeça quente as coisas se complicam... Silêncio. Vontade de se despejar, abrir o coração, baixar a guarda, falar o que pensou, sonhou, planejou, fantasiou... Enquanto o outro tá preocupado com o jogo do Vasco e a breja gelada? Silêncio. Uma das maiores lições essa a do silêncio...

8) Especulação sobre a vida alheia: Na verdade, é muito simples: quanto mais você abre a sua vida para as pessoas, mais 'autorização' você está dando para que elas especulem sobre a sua vida. Logo, escolher com que se abrir é sempre uma boa pedida. Em contrapartida, há aquelas pessoas para quem você não se abriu, não escancarou a vida, não falou do seu mapa astral e, ainda assim, insistem em especular sobre a sua vida, sobre quem você é e tudo mais. Sabe aquela figura que acha que te lê bem? Pois é. Não contente em especular, verbaliza - para você, é claro. E, por ser educado, você não responde. Sorri internamente: Mais um que erra feio, tão feio. Nos enganamos facilmente em relação aos outros, um pouco pelo que o outro parece ser e um pouco por aquilo que nós projetamos nos noutros - nossas próprias fantasias.

9) Limites: Cerca elétrica nem sempre é necessária. São nossas ações e palavras, quando não a falta delas, que os definem. Isso pode parecer contraditório, mas, às vezes, é justamente a apatia e o silêncio que funcionam como limite. Seja como for, eu não usaria marcador permanente para estabelecer meus limites - a vida é imprevisível demais para taxarmos coisas como 'permanentes' -, eu usaria giz (colorido, naturalmente).

10) Data de validade: Acabou. Seja lá o que for. Sobremesa. Emprego. Casamento. Amizade. Bom, o fato é que acabou. E por que raios tem que durar para sempre? Lavagem cerebral desde a mais tenra idade. Chora chora chora até desidratar.

Aí, você pega o lencinho. E se enche de água de coco. E, um dia, fica tudo bem.

Nem todo mundo que é especial tem que ficar na nossa vida para sempre. A vida é passageira e, muitas vezes, são também as pessoas em nossas vidas. Em vez de maldizer o outro, por que não ver o que ficou de bom? É... Olhar o que ficou de bom... E seguir a vida, porque a vida é passageira e o negócio é passar por ela... dançando. O ritmo, você escolhe.

Um comentário:

Doux' disse...

Posso dizer que essa lista de coisas que você já sabia e relembrou era tudo o que eu precisava agora?
Agora anoto num canto do meu caderno para eu sempre relembrar também!

Adorei!