3 de jul de 2013

Laços, tesouras e papel de presente.

Para a moça de Limeira.

A: - Não.

B: - Não o quê?

A: - Não quero.

B: - Não quer o quê?

A esconde suas mãos nos bolsos.

B: - Ah.. Isso? Por quê?

A: - Já prevejo as algemas e a sucessão de aprisionamentos.

B: - Algemas? Algemas onde, meu Deus?

A: - Aí, dá pra ver pendente do seu bolso.

B olha o próprio bolso - sabendo não haver nada - e não vê nada.

B: - Devem ser algemas imaginárias, só você vê. Sem gaiolas, sem algemas, sem contrato assinado e carimbado em três vias.

A se esconde atrás dos óculos escuros.

A: - Não sei não. Você vai acabar podando a minha liberdade, tenho certeza. E isso eu não permito.

B: - Mas é você quem está falando de algemas, não eu. Se você topasse se arriscar, eu poderia te mostrar como as coisas funcionam pra mim. Já expliquei, mas explicar é diferente de viver.

A: - Melhor não. Sou ainda jovem demais e não quero em apegar a nada nem a ninguém.

B: - Ah. Entendo. E respeito isso.

Silêncio.

B: - Bom, se você pensa assim não tem nada que eu possa fazer. Sei da minha capacidade de persuasão, mas também sei que ninguém muda ninguém. A vida é muito simples. Não sei se o seu negócio é medo, neura ou desinteresse mesmo.

B sorri, triste. Tesoura em mãos.

B: - Mas, seja como for, não me serve.

A: - Ei! O que você fez?!

B: - Cortei o laço frouxo que juntava a gente. 

Um comentário:

renatocinema disse...

Tenho saudade de nossos papos cabeça.........diálogos insanos e cults.


abs