29 de jul de 2013

Os três momentos

Para  Gata de Chapéu

Num primeiro momento, a ficha cai e você fica sabendo de fato quem é a pessoa. Todas as ilusões que você tinha, todos os achismos que você alimentou.... Tudo cai por terra. E aí você perde o chão. O outro não segue manual de instrução ou qualquer coisa que se considere coerente ou lógica.

Num segundo momento, você se revolta: o outro não é como você queria e não há como mudar isso. Já passou a fase do choque e você está na fase da raiva e da frustração. Você está desapontado, decepcionado (e culpa o outro, na maioria das vezes). O outro não segue o roteirinho que você traçou nem as falas que você tinha em mente.

Num terceiro momento, você aceita. E, sim, isso pode levar muito tempo. Aceita e entende o outro. Aceita que outro é daquele jeito mesmo e que não há nada de errado nisso. Relacionar-se com ele esperando que um dia mude ou fazendo com que seja outro a todo custo não funciona e, talvez, o grande desafio seja justamente saber até onde interferir sem desrespeitá-lo, sem invadir seu espaço. Entrar nesse espaço só quando convidado, sem querer colocar as portas e muros abaixo.

E, um dia, se percebe que é possível amar o outro mesmo quando ele não se encaixa naquilo que a gente queria.

P.S. E quantas vezes não somos esse outro?

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