22 de jul de 2013

Aquilo que fica quando tudo vai embora

Guarde minhas palavras no bolso do paletó com as chaves do carro no buraco do furo da sua orelha nos seus ouvidos nunca atentos naquele camafeu de 1900 e Noé no vão da gaveta de meias debaixo dos cobertores entre seus dedos magros na sua barba bagunçada entre os álbuns de foto pelas ruas em pleno ar livre deixe-as ventar correr nos barquinhos de papel que soltamos anteontem (lembra?) que uma hora voltam tão tuas quanto minhas. Guarde na sua memória (mas não naquela que já se esqueceu do meu rosto, minha boca, meus olhos), guarde naquele cantinho onde você guarda o que há de mais preciso e precioso. Quando precisar, se precisar (tanto faz), já sabe onde estarão.

Guarde-as lá sim, é importante. Não porque fui eu quem as disse, mas porque foram ditas para você.


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