10 de nov de 2011

Eterno retorno


Olhei pela janela do trem lento. O tempo estava quente, mas não abafado como antes. Eu já não era uma flor de estufa, nem sua borboleta de insetário – exposta e exibida para todos. Não, nem todas as mulheres jogam jogos mentais. Acho que eu era a única que logo de cara se entregava completamente.

            - Sou teimossísima.

E só fui entender o problema daquela confissão gratuita mais tarde. “Avistei o mercado da Lapa e pensei em você”, eu quis te escrever. Amarelo com portas grandes, frutas à vista, perto da estação de trem. Quis te mandar um bilhete. Você sabe como gosto de bilhetes. No começo, isso te encantava. Depois eu já não sei.

Para que escrever? Era um daqueles muitos lugares em que tínhamos planejado ir juntos, mas não contamos com um pequeno imprevisto. Mas também, uma coisa sobre nós era certa: vivíamos sem prazo de validade, como se nunca fosse acabar. Talvez fosse ingenuidade nossa, mas duvido que qualquer um de nós aceitasse viver de modo diferente.

A hora passa arrastada de volta para casa. Nem me lembro de onde estou voltando, só sei que vou para casa.

Um comentário:

£ädÿ disse...

" vivíamos sem prazo de validade, como se nunca fosse acabar."

sei bem.