6 de nov de 2011

O menino do meu abraço

Todo dia ele vinha e me dava um abraço. Desajeitado, se derramava sobre mim. E eu tentando não deixá-lo cair. Devia ser um pouco maior do que eu, mas era apenas uma criança. Vontade de pegá-lo no colo e lhe dizer que tudo ficaria bem, fosse o que fosse. Medo de machucá-lo, mesmo ele já não sendo tão frágil.

Ele ria gostosamente. E me abraçava mais forte.

Fui percebendo que a cada dia o seu peso ficava mais leve. Não se notava nada em seu rostinho redondo, mas quando eu o abraçava, percebia que pesava cada vez menos.

Era como se alguém estivesse tirando alguma coisa dele. E veio vindo a tristeza.

Logo reconheci que cedo ou tarde, seus pés já não mais tocariam o chão: ele perderia o chão. Flutuaria por aí sem rumo. Sem destino. Sem mais ter a quem abraçar ou a quem se apegar. Vi desapego em seus olhos.

Era frágil sim.

Ouvindo Like spinning plates (Radiohead)

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