29 de abr de 2011

Subvertendo ditos populares [1]

"A gato escaldado não se olha os dentes"

significa

dê um desconto para pessoas cheias de "traumas" e más experiências (mas se não der para aguentar e elas se fizerem de vítimas o tempo todo, não hesite em pôr o gato pra fora)

27 de abr de 2011

Meu, seu, nosso

Quando bem utilizados, os pronomes possessivos podem fazer muito bem.

Das coisas cultiváveis

Não importa o nome pelo qual me chamam. Não importa o título que ostento para o mundo. Ou os símbolos que porventura carregue nas mãos. Se tem uma coisa que eu aprendi é a dar mais importância ao que se sente, as verdades que não precisam ser oficializadas ou verbalizadas. Chega dos extremos: daquele que deixa o mato do jardim crescer em completo sinal de descaso àquele que poda tudo milimetrica e avassaladoramente.

É só a paz do jardineiro que sabe o que cultivar e o que podar. Conhece as flores e as estações do ano. A tranquilidade do equílibrio.

Coisas que se sabe só de olhar para ele.

26 de abr de 2011

É pau é pedra



Como as pessoas esperam que me recebendo com pedradas e pauladas hão de receber em retribuição abraços e carícias? Nem cachorros reagem assim, como eu reagiria?

25 de abr de 2011

24 de abr de 2011

Of desire

"I believe very strongly that when it comes to desire, when it comes to attraction, that things are never black and white, things are very much shades of grey." (Brian Molko)

23 de abr de 2011

Bem no fundo do bolso de um casaco de inverno


Eu tenho o hábito de guardar coisas. Algumas não deveria, mas guardo. Todavia, estou aprendendo a jogar fora o que precisa ir embora. Sendo assim, sobra muito espaço nos armários e na vida.

Mas tirei do armário um velho casaco de inverno, um casaco que eu não vestia há seis anos. Descobri em alguns bolsos fundos alguns segredos, desejos e sonhos esquecidos. As traças não os quiseram: estavam intactos. Acho que elas não os quiseram porque no fundo sabiam que eu iria querê-los de volta um dia, como quis agora.

Tirei dos tais sonhos e desejos o pó acumulado pelo tempo e vi que tinham permanecido perfeitos. E, quando levados adiante, mostraram o quão mais perfeitos poderiam vir a ser.

22 de abr de 2011

Como conquistar uma garota [1]...

A felicidade está nas pequenas coisas da vida, como quando alguém te liga para avisar que está de volta a sua porta, simplesmente por querer te ver de novo.

20 de abr de 2011

Síndrome de Sexta-Feira: a semana tem sete dias e não um

Para o Músico

Um amigo, o Músico, comentou como as pessoas anseiam desesperadamente pela sexta, deixando tal desespero evidente nos meios de comunicação digitais, vide orkut, facebook, twitter. E isso me deu um estalo: sim, ele está totalmente certo!

O número de mensagens nas mídias digitais sobre como a sexta-feira é maravilhosa e como se espera ardentemente por ela é gigantesco. Faço do questionamento do meu amigo o meu questionamento:  Por que as pessoas não vivem os outros seis dias da semana?! Para que passar a semana esperando por sexta-feira, em vez de viver (e bem) os outros dias, usufruindo de tudo o que eles podem nos oferecer? 

As coisas boas não são exclusividade de sexta-feira. O sol está aí todo dia e de graça. Claro que é o comecinho do fim de semana, logo, sinal de que o descanso está chegando. Trabalho pra burro, sei disso, mas... Não consigo desejar ardentemenete a sexta-feira. Não tenho um dia favorito, acho. Mas tenho certeza que aproveito o melhor de cada dia.

Esse é o verdadeiro carpe diem, "colha o dia". Imagino os campos de trigo. Mas quem vai colhê-lo se todos estão esperando os dias passarem vazios. Vazios? Porque foram esvaziados de sentido, porque tudo o que faz sentido é a sexta-feira. Talvez porque as pessoas se afoguem durante a semana em suas vidas e rotinas e não consigam ver nada de bom ou de belo do cotidiano. 

Uma pena. Uma pena mesmo pensar que todos os outros dias da semana parecem não ser o suficiente. Então, a sexta-feira acaba funcionando como uma daquelas coisas para preencher os vazios que não podem ser preenchidos por um dia da semana.

Mais uma vez se procura o que se quer nos lugares errados. E lá vai a legião de infelizes.. até que chegue a próxima sexta-feira.

Da [falta de] habilidade com crianças

Os pais de primeira viagem estão passeando com o filho pequeno no supermercado. O menino observa tudo atentamente e as coloridas embalagens de camisinha chamam sua atenção.

- Mamãe, o que é isso? - ele pergunta.

A mãe olha para ele e com naturalidade responde:

- É uma coisa que se usa para não se ter nenê.

O pequeno se satisfaz com a pergunta e não toca mais no assunto.

Num outro dia, a mesma família está numa farmácia. O filho repara em outras embalagens de camisinha, estas são diferentes.

- Papai, o que é isso? - ele pergunta.

O pai não hesita:

- É um tipo de bexiga!

- Eu quero! - o pequeno responde animado.

De longe e de braços cruzados, a mãe olha para o pai com cara de "agora se vira".

18 de abr de 2011

Sleeping Beauty

Voltei morta da Virada Cultural. Morta não, adormecida. O carro apertado e eu consegui tirar um cochilo, tamanho era o meu cansaço - e a minha decepção por não ter conseguido assistir O Mágico de Oz com trilha sonora de The dark side of the moon, do Pink Floyd.

Um amigo comentou depois que eu estava bonita enquanto dormia e parei para pensar que todo mundo fica bonito enquanto dorme: sejam bebês rechonchudos, namorados no seu colo, o cachorro sobre o tapete, crianças na rede lá fora... Talvez também porque quando estamos dormindo, não falamos o que não devemos, não agredimos (há exceções em forma de sonâmbulos), não magoamos os outros: somos inofensivos. E acho que a beleza está nisso, no fato de sermos frágeis e inofensivos por algumas horas. É como se no sono e na morte fôssemos todos iguais. E somos.

15 de abr de 2011

Pequenas confusões da vida

Ter espírito jovem é uma coisa, ser um crianção é outra. Lembrar com carinho da infância é uma coisa, insistir em revivê-la quase que diariamente é outra. Ser bonzinho é uma coisa, ser trouxa é outra. Ser tolerante é uma coisa, ser condescendente é outra. Não confunda esquilo com Ésquilo. Ou ventrículo com ventríloquo. E muito menos afogar com afagar. Amor com paixão. Amigos com amantes. Copo meio cheio com meio vazio. Conserto ou concerto. Ou todos os porquês: por quê, porque e porquê. Trabalho com escravidão. Carinho com obrigação. Bebeto com Romário - Copa de 1994 - não sei como ou porque confundia os dois jogadores quando era pequena!

Me vê uma dose de verdade... pura!

Da última vez que pedi uma dose de verdade pura, da mais pura verdade, achei que não fosse aguentar. As doses às quais eu estava acostumada não tinham alto teor, não eram lá muito fortes. Mas a dose que pedi foi demais para mim. Bom, a princípio pensei que seria, pois era, de fato, a primeira dose de verdade pura, da mais pura verdade, que tragava em minha vida. Desceu rasgando. Verdade decantada, escondida à sete chaves. E me ofereceram. Aceitei e traguei de uma só vez.Quem pede tem que ter estômago. E eu tive. E eu tenho.

Apesar de tudo, prefiro a verdade, a verdade dos que não fogem covardes. Seja em doses cavalares, seja em doses homepáticas. Mas que seja verdade.

14 de abr de 2011

Porque eu tô mandando!

Explicava os diferentes tipos de frases.

- Quem tem filhos aqui? - perguntei.

Todos levantaram as mãos.

- Quem em algum momento já gritou: Menino, vai tomar banho! Vai escovar os dentes! Arruma a cama!

Todos riram e levantaram as mãos.

- Então, essas são ordens, são frases imperativas...

Acho que agora eles não esquecem mais.

13 de abr de 2011

A vida a dois ao som de Piaf

Vi pela primeira vez há alguns anos. Uma amiga recuperou o video no facebook e me lembrei de como são certas coisas e de como a animação abaixo é inspirada. A trilha sonora perfeita. Espero que gostem.

12 de abr de 2011

A garota dos sonhos. Sonhos de quem? Meus que não!

Por que vou querer ser a garota dos sonhos se posso ser uma mulher de carne e osso? Adeus tule rosa, adeus ídolos, pedestais e afins. Me dou ao luxo de ser imperfeita, mesmo quando todos me cobram o contrário. Li um texto sobre isso por esses dias: o direito de ser imperfeita. Para que ser a diáfana e etérea musa de Álvares de Azevedo se posso ser a mulher-terra-e-sangue de Castro Alves? A garota dos sonhos existe para alimentar um punhado de fantasias alheias. Um tédio.

Diário: "Vá para a arena!"

Tentei uma vez e não deu certo. Eu tinha noção do tamanho do desafio e da responsabilidade - e mesmo assim eu quis. Mas não deu certo. Desanimei a princípio, depois me conformei. A vida foi seguindo até que uma oportunidade melhor ainda me apareceu. E de repente estou um passo mais próxima de conseguir aquilo o que sempre quis. 

Para isso, abracei novos desafios. E não foi fácil me meter por caminhos nunca trilhados. Conto com os livros, os amigos, anjo da guarda e comigo mesma. Dá um medo gigante e um frio na barriga. Eu nunca fui muito fã de desafios, na verdade. Me esquivei o quanto pude. Mas dessa vez eu estufei o peito e disse:

- Sim, eu vou.

Hoje foi dia de estréia. Perfeito. Mas eu sei que nem sempre vai ser assim. Munida de dezenas de livros, voltei para casa. Quero ler, aprender, criar... Ir aonde nunca estive antes - e onde nunca pensei ir. Na verdade, nunca pensei querer, nunca quis, mas agora quero. E que venha a tempestade. E essa sensação simplesmente não tem preço nem nada ao que se comparar.

Ouvindo Special K (Placebo)

11 de abr de 2011

Quando a arte passa a ser apelativa?


Aconteceu faz tempo, quando eu estava com um namorado numa exposição na Oca, no Parque do Ibirapuera. Não me lembro qual era o tema da exposição, só sei que o que víamos era bastante interessante. Paramos diante de uma instalação cujo informativo na entrada avisava que a "atração" não era recomendada para pessoas com problemas cardíacos e similares.

Não sabíamos ao certo o que iríamos encontrar. Curiosos, entramos. Era uma exposição de fotos de mutilados de guerra. Mortos. Demorei a perceber do que tratava, porque não conseguia indentificar os pedaços de corpos entre os destroços.

Tão logo percebi, fui tomada por um mal-estar e resolvi sair da instalação. O namorado resolveu ficar. Ele tinha sangue-frio para essas coisas. Eu não. E o que me pergunto é: até que ponto a arte atua como crítica da sociedade? Qual o limite entre crítica e sensacionalismo/ apelação?

Reconheço a arte tem a função de nos abalar, nos tirar de nossas estruturas, nos fazer ver o mundo por outras perspectivas, mas até que ponto é essa a idéia do artista? A partir de que momento ela passa a atender à sociedade do espetáculo, atendendo aos instintos mais primitivos por destruição? Matutava sobre  o equilíbrio entre ética e estética.

Diário: Eles exsitem!

Ontem eu passava pela cozinha, depois da janta, a tevê ligada:

- Roda roda Jequiti!

Matutei que essa linha de cosméticos Jequiti era uma grande farsa, pois nunca tinha sabido de ninguém que vendesse os tais produtos. Nem amigos de amigos. Nem amigos de amigos de amigos. E hoje, eis que caem em minhas mãos os catálogos Jequiti. Pensei duas coisas essenciais:

1) Deveria pensar que outras coisas não existem também para que aparecessem na minha porta no dia seguinte;

2) Devo sempre tomar muito cuidado com aquilo o que penso.

10 de abr de 2011

Teoria sentimental [1]: Da admiração

Apesar de Scarlet e do Sr. A. não terem absolutamente nada em comum, ambos sustentam a mesma teroia sentimental. Segundo eles, o gostar/ amar dura enquando durar a admiração pelo outro. Ou seja, é mais do que natural admirar quem se gosta/ ama.

Segundo eles, quando a admiração vai embora, adeus sentimento. Comprei a teoria, porque, para mim ao menos, caiu como uma luva: acho que a gente acaba admirando a pessoa de quem gostamos/ amamos e quando algo faz com que a admiração escorra pelo ralo, parece não haver motivo para gostar/ amar. Ok, estou racionalizando aqui, mas eu realmente não consigo gostar de quem não admiro sob qualquer perspectiva que seja. Afinal, podemos admirar as pessoas pelos motivos mais diversos. E fica muito fácil sair da vida de quem não desperta o mínimo de admiração. Como eu costumo dizer, isso ocorre quando o outro perde a graça, o encanto. E os mais diversos motivos podem causar isso.

Não sei o que vem primeiro: o gostar/ amar ou o admirar. Só sei que um não existe sem o outro.

9 de abr de 2011

As bailarinas não estão bem

Estamos ouvindo Offspring no último volume.

Ela: - Dançar é a melhor terapia!

Eu: - Algo me diz que a personagem d'O Cisne Negro discorda.

Ouvindo The kids aren't all right (Offspring)

8 de abr de 2011

Me passa esse bolo de cenoura!

Por esses dias, percebi que ao dar uma chance aos outros, posso acabar dando uma chance para mim mesma. E isso fez com que eu visse várias coisas sob outra perspectiva. Também percebi que às vezes você conhece a pessoa certa na hora errada. Mas nada impede que você volte a encontrá-la, dessa vez na hora certa. E, mais do que nunca, percebo que é simplesmente impossível não ter expectativas sobre a vida: elas estão sempre lá, sejam para as coisas ruins, sejam para as boas. E no momento, as expectativas são as melhores possíveis e vou esquecer do bolo de cenoura por quinze minutos do meu dia.

Histórias exemplares: A mocinha que se dizia perigosa

Os dois sozinhos, tarde da noite, numa rua deserta.

- Você fala isso porque mal me conhece - ela diz muito séria e sorrindo - Sou perigosa.

Seu rosto é delicado e seus modos contidos.

- É nada - ele sorri de volta, pensando entender o jogo e se aproximando - Você é completamente inofensiva, basta olhar para você, seus traços, o jeito como se veste. Você não é perigosa - ele provoca.

- Não - ela diz com firmeza - Sou perigosa sim - diz tirando um dedo humano sem mão nem dono de dentro da bolsa (o forro ensagüentado).

Os dois sozinhos, tarde da noite, numa rua deserta.

Ouvindo Black night (The dodos)

7 de abr de 2011

Histórias exemplares: A princesa que calçava 40

Era uma vez uma moça muito bonita, mas que calçava tamanho 40. Digo "mas" porque aquilo era um verdadeiro tormento em sua vida. Desde pequena, as crianças zombavam de seus pés grandes e quando ficou mais velha os rapazes deram-lhe apelidos que sugeriam haver ligação entre o tamanho de seus pés e sua orientação sexual.

A bela e infeliz moça sentia-se como uma princesa amaldiçoada, como se aqueles pés fossem obra de alguma bruxa invejosa e malfazeja. Um dia a bela moça andava por uma loja de sapatos e encontrou o par de sapatos perfeitos! Eram vermelhos e brilhavam como se feitos de rubis. Ela ia perguntar educadamente à atendente se havia um par no número... Parou.

Num impulso rasgante, pediu um par no tamanho 36.  Engoliu em seco, criou coragem e compou o par de desejados e desejantes sapatos vermelhos de rubi. Chegando em casa, tomou a única atitude possível: com a faca de cortar carne, foi cortando os pés até ficarem pequeninos assim. Um de cada vez é claro, agulha e linha para ir remendando tudo o que não tinha remendo - ela mesma.

Depois de costurados e sem dedos, os pés foram enrolados em gaze e esparadrapo e a bela moça pôde sair com seu par de sapatos vermelhos de rubi. Agora sim era uma moça bela por inteira e, sem dúvida, era a moça mais feliz do mundo.

6 de abr de 2011

A Trilha sonora da nossa vida: Faxina!

Para Dai

Ah a faxina! Este momento mágico no qual Veja não é revista, candida não é nome e você lembra de todos os super acessórios da Polishop - além das propagandas fracas de desinfetantes (eu particularmente acho que algumas marcas de sabão em pó têm efeito alucinógeno, afinal, quando é que verei pequenos duentes verdes, fadinhas ou o Daniel cantando para mim?)

Adoro faxina, mas não é todo dia que estou com pique. Com vontade ou não, é uma coisa que temos que fazer - ou a Lógica Cockroachiana pode imperar, na "melhor" das hipóteses. E já dizia o sábio ditado popular: "Melhor duas baratas mortas do que uma voando". Problema também se o lado Clariciano vem à tona junto com a fome e o injustiçado inseto passa à categoria de apetitoso petisco.

Então a faxina é necessidade, obrigação. O fato é que precisa ser feita. E por que não com trilha sonora? Acredito piamente que todo mundo tem o direito a ter uma trilha sonora para  cada momento de sua vida.  Por isso começo essa nova série de posts. Meu querido Arnaldo tem uma música exatamente sobre isso: Música para ouvir.

Música para compor o ambiente
Música para escovar o dente
Música para fazer chover
Música para ninar nenê
Música para tocar novela
Música de passarela
Música para vestir veludo
Música pra surdo-mudo

Sendo assim, matutei gravemente sobre a trilha sonora perfeita para fazer faxina - item este que não consta na letra do ex-Titã. Então eu, no meu papel de reles mortal, me arrisco aqui.

Para faxina, tem que ser algo agitado. Chet Baker não funciona, meus músicos preferidos de folk também não. Jazz sem chance. MPB esquece! É tão óbvio que dói, embora algumas do Chico Buarque sejam deveras efetivas. Minha sugestão é rock. Funcionam bem para mim: David Bowie, Slade e rock nacional da década de 80. Mas, é claro, tenho três álbuns tradicionais e efeitivos na luta contra os germes!

E lá vão as sugestões de três discos que valem a pena ser ouvidos do começo ao fim na hora da faxina:

1) Los Hermanos com "Los Hermanos" (1999):  Foi com esse álbum que descobri como a música pode ser de grande ajuda na hora da faxina. Na verdade, o disco talvez pudesse ser classificado na categoria "fossa", mas as músicas são tão animadinhas que eu, pelo menos, não conseguiria ouvi-las como tal. Acho, aliás, as letras desse álbum bastante divertidas, não por sadismo (oh my!), mas pelo exagero das situações e sentimentos. As melodias valem pela deliciosa mistura entre rock, samba e ska. Bem agitado e gostoso de ouvir. Mas tem que ser esse disco dos Los Hermanos para fazer faxina! Esqueçam os posteriores de influência mais de MPB! Destaques para "Tenha Dó", "Vai embora" e "Descoberta".

2) Os Paralamas do Sucesso com "Vamos batê lata" (1995): Uma mistura sensacional de rock, ska e música regional. Luís Gonzaga, Fito Paez, Carlos Santana, Tim Maia, Jackson do Pandeiro e Alceu Valença figuram em citações ou em participações especiais. É um disco dançante, não no sentido literal da coisa, porque acho que não se dança Paralamas, né? É revigorante: dá para você chegar morto depois de um dia de trabalho e dar aquela super lavada no banheiro ao ouvir "Alagados" (trocadilho esperto com água e alagados ¬¬) ou ainda varrer a casa com esmero alucinado ao som de "Vamos batê lata". Destaques para "Dos Margaritas", "Alagados" e "Vamos batê lata".

3) The Beatles com "1" (2000): Quem é realeza nunca perde a majestade - mesmo na hora da limpeza. Posso dizer que por serem as músicas que chegaram ao primeiro lugar nos EUA e na Inglaterra de 1962 à 1970 são músicas comerciais. Entretanto, isso não tira o seu valor, de modo algum. Comercial não é sinal de má-qualidade. As melodias são marcantes e contagiantes, são aquelas com as quais cresci, ouvindo em casa ou por aí. Coisa de gênio. A maioria das músicas é mais agitada mesmo, mas mesmo as baladas românticas (suspiro para "Something") funcionam para você retomar o fôlego entre uma esfregadela no tapete e uma esguichada no quintal. Destaque para "She loves you", "A hard day's night"  e "Penny Lane".
Ficam as sugestões. Alguém tem mais alguma?

Dana e Fox: tão perto, tão longe

Durante anos, vi diariamente a mesma menina e ela se parecia muito com Dana Scully. Pegávamos o mesmo trem de manhã. Na volta para casa, eu esbarrava com o rapaz que era sósia de Fox Mulder, no mesmo trem. E eu sempre pensava que apenas algumas horas separavam a clássica dupla de ficção científica.

Do vazio que se sente

A: - Não sei o que fazer. Me sinto tão sozinha...

B: - Todo mundo se sente assim às vezes.

A: - Você não sente esse vazio?

B: - Sim, às vezes. Mas ignoro.

4 de abr de 2011

Insensível: Difícil

- Você é difícil - ele disse exasperado.

- Não, não sou - ela respondeu sem dar importância.

- Então está se fazendo de difícil... - ele arriscou.

- Não, não estou. E não estou interessada. É você quem insiste quando digo que não quero - ela deu ombros.

Ele olhou sentido e magoado.

- Eu já fiz tudo para te conquistar... e nada! Você não me dá nenhuma chance - ele se lamentou.

- Não é você, sou seu. Não tenho interesse por você como não teria por qualquer outro - ela respondeu sem hesitar.

- Nossa, precisava falar assim? - ele se chocou.

- Você prefere que eu diga a verdade e te faça sofrer agora ou te iluda e te faça sofrer mais tarde?

3 de abr de 2011

Restart, Justin Bieber & outros insultados

A moda agora é falar mal de Restart, Justin Bieber e outros artistas de tendências musicais contemporâneas. E aí eu me pergunto: vale a pena? Para mim, não representam nada, não me ofendem, não me tocam, não me acrescentam nada. Têm o seu valor dentro do amplo grupo de música pop  e comercial e não vejo o porquê as pessoas gastam tanto tempo falando mal deles. O que eu sempre digo é dar a cada coisa o seu devido valor. Restart, Justin Bieber e afins têm o seu espaço, por isso tantos fãs. Mas o que eu nunca admitiria é que fossem comparados a artistas musicalmente superiores. E acho um barato como a minha geração fala dos modismos (musicais ou não) dos mais novos como se nunca tivesse seguido nenhum modismo. Somos jovens demais ainda para ostentar o discurso enferrujado da vovó: "no meu tempo as coisas eram diferentes". E mesmo quando formos mais velhos, gostaria que pudéssemos escapar desse discurso.

Ounvindo Winter (The Dodos)

2 de abr de 2011

O sutiã com bojo é só a ponta do iceberg

Para a Francesa

"Bem vindo ao maravilhoso mundo da lingerie!", as vitrines me dizem. Mas, cadê o sutiã sem bojo?

O que me faz pensar em outra pergunta: como gostar do próprio corpo exatamente como ele é? Cada pinta, cada contorno, cada pêlo? Olha, sinceramente, é bem difícil, principalmente quando somos tão cobrados sobre nossa aparência. E, mais do que isso, sobre se adequar aos padrões e as roupas que encontramos por aí. As roupas não foram feitas para caber em mim, mas eu deveria ter sido feita para caber nelas.

Já quis ser mais magra, já quis ser mais cheinha. Cansei de querer e me aceitei como sou. Um dia disse isso a um conhecido e ele respondeu, não sei se por ser homem ou por ser insensível:

- Ah, você é bonita, é fácil se aceitar assim!

Bonita ou não, não acho fácil nos aceitarmos mesmo e parece que a multidão lá fora grita que somos inadequados. Felizmente, aprendi a ser surda quando me interessa e conheço várias pessoas que adquiriram essa habilidade também.

Quando pequena, queria ser loura como as princesas da Disney. Também não era pálida como a Branca de Neve, de modo que a Bela (d'A Bela e a Fera) foi um verdadeiro sossego para o meu coração feminino infantil: eu poderia ser bonita mesmo sendo morena. Felizmente um dia você acorda e tanto faz se a princesa Disney é loura ou morena, mas pode ser uma longa caminhada até lá. Tem gente que passa a vida toda sem se resolver com o próprio corpo, sem gostar minimamente de si mesmo.

E tudo isso começou porque uma amiga foi comprar um sutiã e só achou sutiã com bojo. E ela não queria  e não comprou. Sei que pode parecer bobagem a princípio mas... Por que não posso mais escolher: com ou sem bojo? Por que preciso sempre de realçar/ valorizar/ destacar/ expor tudo o que dizem que preciso realçar/ valorizar/ destacar/ expor? Acho super válido que eu queira realçar/ valorizar/ destacar/ expor o que que quiser... desde que eu possa escolher - e não fique limitada pelas opções das vitrines! Tenho total direito de escolher a minha lingerie, meu jeans, minhas sandálias, mas como fazê-lo se aquilo que me oferecem me poda, de algum ou todos os modos?

Conheço muitas meninas magras que vivem de dieta sem necessidade. Conheço garotas que fumam porque cigarro reduz apetite e danem-se os pulmões. E se fosse estivesse acima do peso?  As pessoas falam como se não caber no tamanho 38 fosse homicídio doloso, digno de perpétua. Não me importa esse discurso de "vivemos numa sociedade que valoriza a diversidade", porque não é verdade. Mudam-se as commodities, mas os esterótipos e a escravidão que os envolve permance a mesma. Ok, acho que até melhorou, mas ainda temos muito o que fazer.

O meu corpo é diferente do seu que é diferente do dela. Quanto mais cedo aceitarmos que cada corpo é único, menos sofrimento, menos neuroses. E nada disso do que eu disse quer dizer não se cuidar, não se gostar. Se estamos insatifeitos com nossa aparência, é muito importante corrermos atrás e fazermos alguma coisa, desde que isso não se torne prioridade em nossas vidas. E tudo passe a girar em torno da minha chapinha.

Eu me dou o direito a ter os cabelos escuros e curtos, quando me dizem que as louras de divertem mais e que homens preferem mil vezes mulheres de cabelos compridos; me dou ao direito me gostar como eu sou, com o meu peso e minha altura, embora digam que eu devesse mudar isso e aquilo; me dou o direito de não comprar calça skinny porque acho feio e acho que fica feio em mim, embora ainda seja difícil encontrar outro modelo (pantalonas rules!).

Parece que existe uma conspiração para que a gente nunca se sinta satisfeita (digo satisfeita porque acredito piamente que as mulheres sofram mais com isso) e procure lá fora, fora de nós, maneiras de sermos e ficarmos mais, porque nunca somos e ficamos bonitas o bastante. Claro! Pessoas insatisfeitas compram mais, para preencher esse vazio que fica quando não encontramos satisfação unicamente pelo que somos, sem adereços, sem fantasia, sem paetês. 

"Bem vindo à indústria da infelicidade, onde você nunca é bonita o bastante!", eles gritam, mas eu ignoro.

1 de abr de 2011

Histórias exemplares: A mãe do Gordo e do Magro

Era uma vez a mãe do Gordo e do Magro. Os dois irmãos eram muito diferentes, tanto por dentro quanto por fora. E se entendiam muito bem. Mas a mãe de ambos não entendia a situação e não os entendia. Achava que o Gordo era mais gordo do que realmente era e que o Magro era mais magro do que de fato era. 

Assim, a mãe do Gordo e do Magro infernizava a vida dos filhos. Com a melhor das intenções, cortava as refeições do Gordo, não o deixava comer doces nem beber refrigerante e só ao alface o acesso era irrestrito. Já o Magro era forçado a repetir o prato de feijoada e a comer sobremesa, mesmo quando no estômago não parecia caber mais nada.

O que ela não entendia é que o Gordo era feliz sendo gordo e o Magro era feliz sendo Magro e era da natureza de ambos ser como eram. E que não havia simplesmente nada de errado com nenhum dos dois. Mas aquele era o modo que ela tinha de se importar, de amar seus meninos.

Sabor Baunilha

Para Charlie

Os dois conversavam num barzinho. Ele fez uma proposta e ela recusou.

- Ah, você é tão baunilha! - sorriu zombeteiro.

Seu olhar era de desprezo liberal e especulativo.

- Sabor baunilha, talvez. Mas com cobertura de chocolate - respondeu ela sem se intimidar.