11 de abr de 2011

Quando a arte passa a ser apelativa?


Aconteceu faz tempo, quando eu estava com um namorado numa exposição na Oca, no Parque do Ibirapuera. Não me lembro qual era o tema da exposição, só sei que o que víamos era bastante interessante. Paramos diante de uma instalação cujo informativo na entrada avisava que a "atração" não era recomendada para pessoas com problemas cardíacos e similares.

Não sabíamos ao certo o que iríamos encontrar. Curiosos, entramos. Era uma exposição de fotos de mutilados de guerra. Mortos. Demorei a perceber do que tratava, porque não conseguia indentificar os pedaços de corpos entre os destroços.

Tão logo percebi, fui tomada por um mal-estar e resolvi sair da instalação. O namorado resolveu ficar. Ele tinha sangue-frio para essas coisas. Eu não. E o que me pergunto é: até que ponto a arte atua como crítica da sociedade? Qual o limite entre crítica e sensacionalismo/ apelação?

Reconheço a arte tem a função de nos abalar, nos tirar de nossas estruturas, nos fazer ver o mundo por outras perspectivas, mas até que ponto é essa a idéia do artista? A partir de que momento ela passa a atender à sociedade do espetáculo, atendendo aos instintos mais primitivos por destruição? Matutava sobre  o equilíbrio entre ética e estética.

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