5 de out de 2012

Dever

- Você não me deve nada - ela sorriu olhando pela janela do carro - Mesmo.

O "mesmo" foi olho no olho e ele ficou sem ação. Eram quase onze horas e eles estavam em frente à casa dela, dentro do carro. Os últimos cinco minutos tinham se passado em total silêncio. Fora ela que o rompera, como que adivinhado os pensamentos dele: 

- Você não me deve nada.

E aquilo doeu, porque era um como não se importar. Para ela, tanto fazia o que tinha acontecido, o que ele tinha feito. Está feito, ele leu nos gestos dela. Ele sabia que não devia nada. Naturalmente. Então porque parecia natural que sentisse que devia alguma explicação para suas ações? Era a vida ele, oras. As coisas eram bem mais simples daquele jeito: ela dizendo que não ele não lhe devia satisfação e ele concordando com ela. A vida era simples, muito simples...

- Espera... - ele diz quando ela abre a porta do carro.

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