6 de out de 2012

Mídias Sociais: ostentação, felicidade e intimidade

Já dizia Rebecca Black: Fun fun fun
Todo mundo é artista e filósofo e, acima de tudo, absolutamente interessante depois do advento de mídias sociais como o Facebook.

Toda foto fica cult com instagram e as pessoas tiram foto de toda e qualquer coisa que vejam - principalmente suas refeições e festas - party party! Uma caneta, drinks, um carimbo... O olhar do fotógrafo pouco conta, o negócio é o tratamento cool... E a motivação? O que se quer mostrar para o mundo? Sou feliz? Minha vida é cheia? (cheia de...?)

UHUUUUUUUU

Party party party! Me divertindo hor-ro-res! Esta sou eu na balada animadíssima! Uma fotonovela para provar que aconteceu. Provar para todos, para mim e registrar para a eternidade [?]. 

Por isso eu falo que cada um se expõe o quanto quer nas mídias sociais, nem vem me dizer o contrário.

Talvez uma das palavras-chave seja ostentação: ostento minhas refeições ma-ra-vi-lho-sas, meu corpo di-vi-no, meu namoro fantástico

Te amo mais do que bacon, chuchu

É muito mais uma questão de ostentar a "felicidade" do que de compartilhá-la. E compartilhar meu status de relacionamento também. Afinal, todo mundo precisa saber que estou noiva, que levei um fora ou que mulher não presta e homem é tudo igual. Oi?

Posso ainda ostentar minha sabedoria em frases suuuuper edificantes [?], além de mostrar, é claro, como a minha vida é emocionantemente emocionante. Ou então aquele climão passivo-agressivo, cheio de indiretas e frases do tipo:

"Sua inveja é o meu sucesso"

"Certas pessoas só valorizam quando perdem"

Ou ainda cita "O Pequeno Príncipe", Clarice Lispector ou Caio Fernando de Abreu sem fazer ideia do que está falando.

Okay. E é importante que todo mundo saiba a hora em que vou ao banco, tomar banho, comer e ir dormir. Porque ninguém pode dormir sem saber que eu vou dormir ou que mudei o esmalte e agora só uso Colorama. Além de acompanharem todos os meus looks mais modernos, meus dramas pessoais (detalhados, é claro) e correntes e mais correntes...

Porque a minha vida é muito interessante, naturalmente. Todo mundo quer saber o que acontece comigo - uma novela da vida real a minha vida, cero?

Complicado mesmo é reclamar de gente fuçando a sua vida quando você não só se abriu a porta, mas também convidou para um cafezinho - ou para uma birita.

2 comentários:

renatocinema disse...

Que bela novela filosófica você escreveu.......dura, cruel, romântica e apaixonante......abriu a porta para o príncipe? kkkk

Cayo Candido disse...

Mais que bacon não dá!