31 de out de 2012

É preciso coragem para se estar sozinho

É um tal de ostentar a aliança grossa e apertada. É um tal de exibir (todas as mudanças d)o status de relacionamento no Facebook - e depois espernear quando cuidam da sua vida. É um tal de achar bonito ter dono ou dona e andar por aí com coleiras invisíveis. É achar que os relacionamentos de  "O morro dos ventos uivantes" são saudáveis e ideais - que fiquem no mundo das ideias mesmo!

Em tais conjunturas, é preciso coragem para se estar e se declarar sozinho.

"A solidão é subestimada", diz Tom em 500 days of Summer e, embora ele não acredite nisso, eu acredito.

A cobrança social para estarmos acompanhados rola solta. Vivemos numa sociedade onde é feio estar sozinho: solteirice é sinal de fraqueza, falha, fracasso:

- Pelo jeito, você não tem nada a oferecer...

Por conta disso, algumas pessoas acabam se submetendo a relacionamentos vazios, nocivos ou, simplesmente, bobos. Ou ainda ficam anos com pessoas de quem [já] não gostam. Passo o tempo por passar.

Tão ruim quanto estar mal acompanhado é não saber ficar sozinho. E conheço várias pessoas que não conseguem ficar consigo mesmas. É medo de quê? De morrer sozinho? De se deparar e ter que lidar com quem se é de verdade? De não ter que "completar" ninguém? De não saber o que fazer ao perceber que já nascemos inteiros? Ou do que os outros vão pensar?

Às vezes é pura carência. Bom, acho que todo mundo tem seus momentos assim, mas vale se envolver pra valer com alguém só para não ficar só? Indo mais além: e se a pessoa não é "exatamente legal"? E quando digo "exatamente legal" me uso de eufemismo.

Com o passar do tempo, tendemos a ficar mais exigentes, fato no qual não vejo problema, desde que haja flexibilidade. Contudo, acredito que as pessoas tenham coisas que não negociáveis. Essas "coisas" podem ser crenças, hábitos, planos e assim por diante. 

Cada um sabe de si, sabe o que abala... Ou não? A listinha dos não-negociáveis nem sempre fica clara para cada um - principalmente quando não nos conhecemos direito. 

Estar acompanhado até é uma boa maneira de se conhecer, mas estar sozinho, com seus próprios pensamentos e experiências, ter o seu tempo e um tempo pra você são outras ótimas maneiras e aí você não depende do outro, porque rolos, namoros, cônjuges podem passar, mas você é a única constante na sua vida.

Um comentário:

renatocinema disse...

Profundo...e verdadeiro.

Para quem tem um príncipe de cavalo branco no carro. kkk


A questão é realmente estar consciente e feliz com suas escolhas. Seja sozinho, acompanhado, ou enrolado.