17 de dez de 2010

Diário: Quando a padaria oferece mercadoria incomum

Fomos à padaria no intervalo. Fui para acompanhar, não tinha fome, só vontade de conversar. Ele pediu uns pães de queijo e um suco de laranja.

- É a melhor padaria da região - ele disse, orgulhoso, como se a padaria fosse dele

- Mesmo? - disse eu, fingindo interesse - Achei que não tivessem muitas padarias por aqui.

- Bom, essa é a única - ele respondeu, sem me dar muita atenção.

Enquanto esperávamos pelo suco de laranja ao lado do balcão, avistei algo inesperado ou, no mínimo, inadequado: uma barata. Muito simpática, ela subiu no freezer. Talvez quisesse sorvete de coco. Talvez um pacote de salsichas.

- Ei - disse eu, interrompendo ele, que continuava falando sem parar.

- O que você estava olhando? - ele quis saber.

- Olha lá! - apontei para a barata.

Helga era o nome dela, eu tinha acabado de escolher.

- Credo! Uma barata?!

Seu choque era genuíno. O moço de bigodes estranhos entregou o copo com suco. Sorriu. Embora tentasse, não conseguia ser mais simpático do que a barata.

- Moço - ele começou - tem uma barata em cima do freezer.

"Helga quer sorvete, só isso", pensei.

O moço de bigodes desagradáveis olhou para a barata, olhou para nós, levantou a cabeça e sorriu. Como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Bom, talvez lá fosse.

Um comentário:

Alline disse...

Barata Helga fazendo um tour pelo freezer pra escolher o próximo lanchinho. Eca! rsrsr

Muito bom, viu? ;)

Beeeeeeeeeeeeijo, Frau!