29 de fev de 2012

Quando a gente foge daquilo que persegue

Quero muito. Muito mesmo. Não desesperadamente, mas fazia muito tempo que eu não queria alguma coisa desse jeito. Mas tem um probleminha: com a mesma intensidade que quero, não quero.

O que fazer quando queremos muito - muito, muito mesmo - uma coisa e, ao mesmo tempo, não a queremos de jeito nenhum?

[porque parece que estou fugindo daquilo que persigo]

Eu não sei, disse a mim mesma, perplexa, me olhando de soslaio num reflexo qualquer.

[ando brincando de gato e rato com meus desejos?]

Conversa vai, conversa vem, descobri que existe mais gente que se sente como eu e que, como eu, não faz ideia do que fazer com essa situação. Incoerente? E eu lá estou ligando para incoerência? Só queria saber mesmo por onde trilhar.

Não, não estou em cima do muro. É apenas uma corda bamba e me equilíbrio, como posso, até que decida o que é maior: o meu querer ou o meu não-querer - ou até que eu cansada de me equilibrar não consiga mais me equilibrar, ceda caia para um dos lados. 

E não basta listar prós e contras [lista longa]: empate. Até que eu saiba o que fazer, que delícia seria parar o tempo... Deixar tudo em suspenso. Mas tem três coisas aí: primeiro, eu me acomodaria (acho que quase qualquer um se acomodaria, na verdade); segundo, a vida não pára para que eu escolha, decida e bata o martelo; terceiro, eu não posso ficar em suspenso.

27 de fev de 2012

Ramona e Clementine: "Achou melhor não comentar, mas a menina tinha tinta no cabelo"

She's fickle, impulsive, spontaneous... God what am I going to do?
 [Scott Pilgrim, sobre Ramona Flowers]

* Contém Spoilers!
 
Scott Pilgrim ficou sem chão quando percebeu a real natureza de Ramona Flowers: inconstante, impulsiva e espontânea. Não haveria manual de instrução no mundo que pudesse explicá-la ou controlá-la (como não há para ninguém, na verdade, mas as pessoas não percebem isso).

- Deus, o que vou fazer? - ele se pergunta.

Nem etérea, nem efêmera. Bem concreta, mas não exatamente tangível. E Scott só se deu conta disso depois de perceber com que facilidade a garota de seus sonhos tinha mudado a cor do cabelo. E ela o faz com um desprendimento que o assusta, pois é esse mesmo desprendimento que ela poderia usar (e não só poderia usar, como usa) com outras coisas. Pessoas e ele mesmo.

Eu já escrevi aqui sobre mudanças capilares. Podem não significar nada. Mas podem ser tudo. Para mim, são sempre alguma coisa: concreta, mas não tangível. Pode ser um rito de passagem ou uma mudança mínima que seja.
 
Me perguntaram por que eu tinha mudado a cor do meu cabelo e por que tinha escolhido a cor que escolhi:

- Porque me deu vontade uai! - abri um largo sorriso.

Deu vontade de mudar, só isso. Mas o que me assusta é que a tintura parece não ter mudado só a cor do cabelo, mas também as ideias da minha cabeça: me vi com uns pensamentos totalmente novos, umas vontades diferentes, umas ambições inesperadas. Quero - e só.

Sementes latentes que germinaram por causa de quê? 

Na linha de Ramona Flowers, há minha querida Clementine: igualmente inconstante, impulsiva e espontânea. Deu vontade, ela vai lá e faz. E assim pinta o cabelo várias vezes. Simplesmente porque deu vontade. Não estou dizendo que pode se fazer o que quiser na hora que quiser [é óbvio]: existem milhares de regras sociais e, acima de tudo, bom senso. Mas creio que a gente se poda muito, mesmo quando não precisaria.

Sempre celebrei a constância e as coisas todas certinhas, mas sabe que estou vendo um certo charme no oposto? Mesmo porque, acho que todo mundo acaba por obedecer uma coerência interna, ainda que tal fato não fique muito evidente.

Nem tudo a gente precisa explicar - nem para gente, nem para os outros. Nem tudo precisa de planejamento: o "deu vontade" pode fazer nossos dias mais coloridos - no meu caso, literalmente. É preciso se dar ao luxo de não querer ter todas as respostas. Bom, eu não tenho, nem vou ter, nem quero ter. Quero descobrir com a vida, com os novos livros, ideias, pessoas, viagens, tons de vermelho, tatuagem, canções, amores. É isso.

Toda e qualquer coisa que marque a nossa experiência de vida como fato consumadíssimo e único. E isso não se planeja, se vive. A própria felicidade não é uma coisa que se planeja -  o que não quer dizer que a gente não possa fazê-la acontecer.

[pois é, acho que acordei passional...]

26 de fev de 2012

Sobre o ciúmes [mais do que nunca] sem sentido

Uma conversa entre amigos.

Ela: - Saí com um cara.

Ele: - É? E aí?

Ela: - Não deu certo.

Ele: - Que bom!

Ela: - ?

Ele: - Tenho ciúmes de você.

Ela: - Tá de brincadeira, né?

Ele: sorriso amarelo.

Ela: - Mas você já não tem uma namorada para sentir ciúmes?

Ele: - Tenho ciúmes de você. Ponto.

25 de fev de 2012

Quinzinho e a Química [2]

E era sempre aquele papo de dessanilização da água. Precisa de água doce, então faça agua doce, oras!, pensava ele. E passou anos em seu laboratório, repetindo sempre o mesmo processo: era seguro e o resultado garantido, pois Quinzinho sabia muito bem o que estava fazendo e já fazia aquilo há tanto tempo que nem se lembrava mais. Era a receita infalível.

Mas, um dia...

Fez vinte e cinco anos. Cansou da água, embora não de sua mutabilidade. Destrancou um antigo baú com uma antiga chave, cuja cópia derretera há algum tempo. De lá, tirou um antigo jogo de química com inúmeros frascos, recipientes, líquidos coloridos e aromas. 

Colocou-os todos gentilmente sobre o balcão de fórmica fria e pôs-se a experimentar. Não teve medo: as explosões fariam parte da brincadeira. Mesmo porque, haveria descobertas diversas - ele bem o sabia.

[o Empirismo era uma benção]

24 de fev de 2012

Labels

He: - May I ask you something?

She: - Sure.

He: - Are you in love with me?

She: - Well, not really. I have a crush on you, that's all.

He: - Ok.

She: - Why do you wanna know?

He: - Because it'll be easier, that's good.

She: - What?

He: - Leaving.

23 de fev de 2012

Quizinho e sua obsessão

Porque quando era pequeno, Quizinho passou muito tempo com seu avô, um senhor roliço e simpático. Bonachão em modos e palavras. Ele tinha uma certa sabedoria da vida, sabedoria discreta, sem ostentação. Mal sabia Quinzinho que nunca mais veria alguém saber tanto e demonstrar tão pouco.

Um dia, o avô lhe disse:

- Cresça logo, meu filho.

Sábio que era o avô, Quinzinho levou aquilo a ferro e fogo. O avô faleceu, mas ele continuava com aquele pensamento de amadurecer o quanto antes, uma busca incansável. Queimou alguns anos de sua mocidade e perdeu muita coisa, muita experiência em busca da experiência.

Mal sabia ele que o avô, humano que era, também podia errar E devia ter errado. Se Quinzinho tivesse completado - internamente que fosse - no tempo certo, a sua vida seria mais leve mais rica e plena. Mal sabia ele que a tal experiência que ele buscava estava ligada a muitas coisas que ele evitava e postergava: quanto mais buscava sua maturidade, mais se afastava dela. Um imã repelente. Os sinais eram iguais e ele, o mesmo.

Até que um dia, Quinzinho acordou diferente. Foi depois de ter saído do hospital. Acordou e se deu conta de que seus vinte e poucos anos estavam um tanto quanto empobrecidos. Não estava aproveitando a vida. 

- Não é uma questão de sair bebendo até cair e dormir cada noite com uma desconhecida - ele explicou junto ao túmulo do avô e continuou - É questão de ser permitir certas coisas.

Pudesse Quinzinho ver os mortos, veria o fantasma do avô contente, as mãos grandes e cheias e um sorriso de aprovação:

- Acho que você finalmente entendeu o que eu quis lhe dizer.

22 de fev de 2012

Napolitanos somos todos


A graça do sorvete napolitano é a combinação entre morango, chocolate e nata. Quem deixa o morango de lado, não entendeu nada de nada: os três sabores juntos dão origem a um quarto sabor único, só possível na presença do morango.

Assim são as pessoas, formadas por diversos sabores. Como querer que neguem sua complexidade, excluindo o morango, o chocolate ou a nata? Quem só quer o chocolate, quer o outro só em parte, não em sua totalidade. E para que querer alguém pela metade? Ou só ser querido em parte?

21 de fev de 2012

Quase

Esbarraram-se na Paulista no feriado.

Ele: - Por que você está fugindo de mim?

Ela: - Não estou fugindo de você!

Ele: - Ah não?

Ela: - Não fui mais atrás de você e você não foi mais atrás de mim. Achei que estava tudo certo.

Ele abriu a boca, depois fechou. Olhou para seus sapatos sujos. Ela olhou para o lado, virou os olhos e sorriu de volta para ele.

Ela: - É só que... você não era o que eu esperava.

Ele: - Ótimo! Você cria as expectativas e eu pago o pato?

Ela: - Não. Não crio expectativas.

Ele: - Duvido!

Ela: - Está bem: mas as que eu crio são comportadas, controladas. E essas você preencheu.

Ela corou. Ele ficou olhando sem entender. Ela sorriu.

Ela: - O problema foram as expectativas que você criou sobre você mesmo. Essas estão fora do meu controle e essas você não preencheu.

Ele abriu e boca, depois fechou.


20 de fev de 2012

Dane-se a reciprocidade [1]: Saudade

Ela: - Tô com saudade de você.

Ele não respondeu nada e ela nem esperava que ele  respondesse: certas coisas precisavam simplesmente ser ditas. Nem mais, nem menos. Dizer aquilo a fazia feliz e aquilo lhe bastava.

Terno-eterno

Fez um filho
para fazer seu amor ficar.
Ficou.
Mas o seu amor mudou:
Quer só ficar com o filho,
Novo-terno-eterno amor.

Com um filho o fez ficar,
Mas que fazer para fazê-lo partir?

19 de fev de 2012

Metaaaaaaaaaaaaaal

Uma conversa entre amigos:

A: - Briguei feio, cara.

B: - Mesmo? Ah que chato!

A: - Chato nada: foi punk mesmo.

B: - Só punk?

A: - Como assim?

B: - Tem dias que são punk, outro são gore metal.

Silêncio.

A: - Então acho que foi gore metal mesmo.

18 de fev de 2012

Mistura tudo e acrescenta o quê?






Alguém sabe me dizer o que são os tais segredos de liquidificador, cantados por Cazuza e pelos Tribalistas?

17 de fev de 2012

Quem vê cara não vê coração

Uma conversa entre amigos:

Ele: - Você tem cara de ser aquelas meninas que acabam com o sujeito quando ele se apaixona.

Ela: - Que nada.

Ele: - Mas tem cara, isso tem.

Ela: - Não faço isso, embora me tenham dado essa sugestão.

Ele: - Qual?

Ela: - Acabar com quem quer que se apaixone. Sei lá. É bonito no papel, na literatura. Na vida real é... real .

16 de fev de 2012

Quem procura acha [sarna, para se coçar]

A: - Não acredito!

B: - No que?

A: - Que sua palavra preferida na língua portuguesa é sarna!!!

B: - E qual é o problema, raios?

A: - É NOJENTO!

B: - Mas eu não disse que gosto de sarna, poxa, eu disse que gosto da palavra, acho sonora!

A: - Mas gostar da coisa e da palavra é a mesma coisa!

B: - Gostar da palavra não é gostar da coisa!

A: - Ah é sim!

B: - Bom, melhor gostar da palavra sarna do que gostar da palavra que você gosta!

A: - Vai botar defeito na minha palavra preferida?

B: - Saudade é tão mainstream!

15 de fev de 2012

Ai como eu sou cool! ou Armadilhas das mídias sociais

Uma coisa é a pessoa ao vivo. Outra é como ela de mostra nas mídias sociais, porque praticamente todo mundo parece muito cool, descolado e interessante (acho que é uma questão de competência e boa parte dos meus conhecidos é competente nisso). Cada um constrói a sua imagem, as mídias sociais dão esse poder.

A gente se faz parecer assim: interessante, cheio de amigos, sempre fazendo e acontecendo. Mas muita gente não é lá essas coisas quando ao vivo, cara a cara. E eu mesma, sabe? De repente, eu posso parecer suuuper legal quando, na verdade, não passo de uma pessoa comum sem nada de interessante.

Mas engraçado mesmo são as pessoas que insistem no próprio encanto, mesmo quando já percebemos que são reles mortais como nós.


14 de fev de 2012

Valentine's Day ou Halloween?

Durante a confecção das lembrancinhas de Valentine's Day:

- Teacher, como se fala "gosto muito de você"? - ela me pergunta.

- Olha lá na lousa: "I llike you very much" - respondo olhando para ela.

- Nossa, que frases são essas? - ela olha espantada para a lousa.

- São as suggestions que eu dei para vocês escreverem no cartão. Mas você pode escrever outra coisa se quiser.

- Puxa, eu nem vi você escrevendo isso!

- Mas eu escrevi ué? Você estava concentrada em seu cartão.

- Não, o que você fez foi mágica isso sim! - ela sorri.

Pensei em várias coisas naquela fração de segundo: meu papo antigo de ser assistente de mágico (e depois de ser a própria mágica, é claro), Halloween, Harry Potter e por fim o romance "As bruxas de Eastwick", pelo qual estou me deixando apaixonar (tão bom isso!).

O que me lembrou de citar um trecho fantástico do livro, numa cena na qual Alexandra cria uma tempestade na praia, a fim de que as pessoas fossem embora e ela pudesse soltar seu cachorro Carvão da coleira: 

O tempo interno de cada um sempre tinha relação com o tempo externo; era apenas uma questão de reverter a correnteza, algo que acontecia com relativa facilidade uma vez que o poder tivesse sido atribuído ao polo principal, ou seja, ao seu eu feminino (UPDIKE, J. As bruxas de Eastwick).

Fiquei pensando em todas as vezes que eu disse que podia fazer ventar e que meu humor influía no clima. Bobagens é claro. Não sou louca - embora grandes mudanças na minha vida tenham sido acompanhadas por ventanias intensas. Fato. Mas a sensação que essa leitura me trouxe foi, no mínimo, curiosa - como se quase qualquer coisa me fosse possível.

13 de fev de 2012

Modéstia

A: - Modéstia é bom, viu?

B: - Por quê? Não posso dizer que sou um exemplo de competência?

A: - Não é bom ostentar essas coisas. Ainda que você seja mesmo.

B: - Bom, eu sou. É problema saber quem eu sou e declará-lo abertamente?

12 de fev de 2012

It's a matter of...

A: - Isn't he too young?

B: - Maybe.

A: - So?

B: - Ok, he's a boy, so what?

A: - Yes, he's only a boy.

B: - Well, I do prefer a boy who behaves like a boy than a boy who pretends to be a man.

A: - Oh. It's tiring, I guess.

B: - Naturally. No promisses, no expectations. These things don't mean happiness. Happiness is something easy to get if you know how to deal with life and people around you.

11 de fev de 2012

Ziggy

Para  Charlie

Ela cansou da vida e soube da festa a fantasia. Não hesitou: cortou os longos e comportados cabelos. Agora estavam curtíssimos e cheios de falhas. Mas ela estava terrivelmente feliz: o rosto pintado como Ziggy Stardust e um sorriso largo e zombeteiro e estranhamente satisfeito. 

Risonha como nunca.

Chegou à festa e o namorado logo a avistou, chocadíssimo:

- Mas o que você tinha na cabeça quando cortou o cabelo assim?

Ela olhou com uma ternura com laivos de sadismo e respondeu:

- Uai. Veio a vontade e a pergunta: vou machucar alguém, vou ferir alguém? Ah! A gente tem mais é que fazer essas coisas que tem vontade.

E ele olhou, assustado e temeroso. Matutava complexo e concreto: Que mais ela ia ter vontade de fazer? E nunca a tinha visto tão bonita.

10 de fev de 2012

Psicológico como dor de pedra nos rins

Seltinho triste por causa do ventilador quebrado
Me olhou com espanto (eu coberta com o lençol):

- Como você consegue ficar assim com esse calor?

Bati com o indicador na minha cabeça:

- O segredo está aqui.

Frio, calor, dor, fome...Tudo psicológico!? Não estou falando de casos crônicos ou sérios, de gente que passa fome ou passa a vida em filas ou camas de hospital, estou falando dos nossos resmungos diários, porque ou está muito frio ou muito quente ou não sei o quê. Bem, não é que seja tudo psicológico, porque simplesmente não é, mas o modo como a gente lida com a coisa - seja lá qual for - pode definir tudo.

Então eu sinto um calor terrível (sim, meu povo, é verão!) e fico repetindo que está terrivelmente quente: é óbvio que eu vou sentir mais calor ainda. E nem sempre as coisas são tão ruins como parecem - embora sempre haja controvérsias. Ah!

Quanto mais eu falar de uma coisa que me incomoda (ou que uma coisa me incomoda), mais ela vai me incomodar. O mesmo vale para pessoas.

9 de fev de 2012

Petiscando

Porque eu corro muito, corro sempre. Desde sempre? Não, há uns anos. Coisa do sangue pulsando, acho. Num suspiro, velocidade. Dançando sozinha com uma frequencia absurda e adocicada. Mas tem horas que preciso parar, pausar o coração, brecar o passo e sentir coisas que acabo por esquecer.

Abro o armário... e olha o potinho de castanhas de caju!

(são luas gorduchas ou sorrisos largos?)

Fecho a boca e fecho os olhos. Porque é preciso ficar calado e é preciso esquecer do mundo: na minha boca só aquele gosto. Gosto gostado e sentido e respirado.

Epifania em forma de petisco.

8 de fev de 2012

Música para fossa [2]: Viva a Itália!

Para variar, descobri álbuns do Nico Fidenco e do Sérgio Endrigo em casa. E calhou de ele estar aprendendo italiano. Aí já viu. Mas sempre ficam as coisas boas, as músicas. E por que não as pessoas também? Os sentimentos se transformam.

"L'uomo che non sapeva amare" (O homem que não podia amar) é a clássica canção de arrependimento do sujeito que desperdiçou uma chance e pisou na bola. Como eu não manjo nada de italiano, o Google Translator me deu uma mão na época e e letra é algo como:

"Era un uomo che non sapeva amare
Scusami, non lo farò
Mai più
Perdonami
Io cambierò per te
Ora capisco il male
Che ti ho fatto
Ero un uomo
Che non sapeva amare..."

(Era um homem que não podia amar
Desculpe-me, eu não vou
nunca mais
Perdoa-me
Eu vou mudar por você
Agora eu entendo a dor
O que eu fiz
Eu era um homem
Quem não podia amar ...)
(fonte: Google Translator)


 
Já a canção do Sergio Endrigo, "Io che amo solo te" (Eu que só amo você) me soa como a cena do "fica" ou do "volta": num filme antigo, a mocinha (brava ou chorosa) indo embora de taxi e no fundo a canção do seu amado. 

"C’è gente che ama mille cose
E si perde per le strade del mondo
Io che amo solo te
Io mi fermerò e ti regalerò
Quel che resta della mia gioventù
"
(Tem gente que ama mil coisas/
E se perde pelos caminhos do mundo/
Eu que amo só você/
Eu vou parar e vou dar-lhe/
O que resta
da minha juventude)
  (fonte: Google Translator)

 Mas ela tem que voltar porque, afinal, ele ama somente ela e oferece-lhe o resto de sua juventude. Na ceninha que se passa na minha cabeça, é assim que funciona: a mocinha se arrepende e volta - principalmente por causa da carinha do Sergio Endrigo. Coisa fofa.


7 de fev de 2012

O que aprendi com "Uma cilada para Roger Rabbit"

I
Aluna: - Tia, você já assistiu "Uma cilada para Roger Rabbit?!"
Eu: - Claro! Adoro esse filme!
Aluna: - É muito legal mesmo, tia!
Eu: - É sim, mas eu morria de medo do caldo.
Alguns segundos.
Ela: - Mas tia, o caldo só era perigoso se você fosse um desenho!
Eu: - Eu sei, mas mesmo assim eu tinha medo.
 II
Aluna: - Tem uma coisa que eu não entendo no filme, tia.
Eu: - O quê?
Aluna: - A esposa do coelho. Por que ela casou com ele? Ela disse que ele fazia ela dar risada.
Eu: - É isso mesmo: o que a esposa do coelho mais gostava nele é que ele era divertido, engraçado. Isso fazia dele alguém especial.
Aluna: - Ah agora entendi.


(Pois é, pensando cá comigo)

6 de fev de 2012

Dois litros por dia

Ter a [des]pretensão da garoa
e a força da enxurrada
e a persistência da goteira.
E mover moinhos - sempre.

Ouvindo 20 passos (Agridoce)

5 de fev de 2012

Porque Gil e Djavan sabem das coisas

Se tem dois caras que tem moral para chamar alguém de "princesa" são Gilberto Gil e Djavan. O resto é o resto.




4 de fev de 2012

Alice e Lucy: um pé no surrealismo

Dalí e Diná
Terminei de ler Alice in Wonderland entre uma pedalada e outra. Gostei bastante. Todo mundo me falava desse livro e eu o tinha há algumas eras. Criei vergonha da cara e o li em um pouco mais de uma semana - embora pudesse  ter lido em menos tempos, pois o livro é beeem curtinho.

Realmente a viagem de Alice é uma viagem. Gostei especialmente dos jogos com palavras e linguagem, além de ter achado um barato como todo mundo tira uma com a menina. Sério. Queria aprender a dançar a quadrilha das lagostas. Alguém topa? 

Quem me decepcionou foi a Rainha de Copas, que não é tudo isso no livro. O desenho da Disney também perde um pouco a graça.

Enquanto acompanhava suas peripécias, não pude deixar de pensar na canção dos Beatles Lucy in the sky with diamonds, que também é, convenhamos, uma viagem - LSD.

"A girl with kaleidoscope eyes"

Para mim, as duas, Alice e Lucy, têm um pé, se não dois, no surrealismo e não me é difícil imaginá-las em alguma obra do meu queridinho Salvador Dalí. Maionese pura. Alice e Lucy são duas garotas em mundos extraordinários, cheios do improvável e do impensável. São mundos interessantes, onde praticamente tudo parece ser possível e nada é previsível.

E, por tudo isso, não entendo porque três amigos meus acham que eu lembro a Alice, quando sou arroz com feijão, assim como é minha vida (e não, isso não é um problema). Acho que é o lado surreal deles, vendo coisas que não existem.


3 de fev de 2012

Descrenças e descrentes

Ela: - Eu não acredito.

Ele: - Sei.

Ela: - Estou falando sério.

Ele: - Então vou provar pra você que existe sim.

Ela: - Mas eu não disse que não existe, eu disse que não acredito. São coisas diferentes.

Ele: - Quer dizer que você pode mudar de ideia.

Ela: - Não: quer dizer que sou indiferente a existência ou inexistência. Para mim, tanto faz.

Ele: - É triste não acreditar numa coisa que existe.

Ela: - Pior seria acreditar numa coisa que não existe.

Ele: - Pior é o seu ceticismo cego.

Ela: - Racional.
.
Ele: - Te provo por A mais B.

Ela: - Não é um crime ter crenças diferentes.

Ele: - Então te dou um motivo para fazer você acreditar.

Ela: - Não preciso de motivos, nem das suas crenças, nem da sua fé nas coisas.

Ele: - Contrario suas crenças se eu te mostrar as coisas por outro ângulo?

Ela: - Não. Vá em frente então.

[tempo]

Ela: - Sinto muito.

Ele: - Não, quem sente muito sou eu.

Ouvindo Love ridden (Fiona Apple)

2 de fev de 2012

Sacolinhas plásticas, as vilãs das últimas semanas

É simples: eu sempre reutilizo as sacolinhas plásticas do supermercado para colocar lixo. A idéia não é mais reutilizar, mas nem chegar a usar, por isso as simpáticas sacolinhas de pano. Okay. Sem as sacolinhas plásticas,  vou precisar comprar, i.e. consumir, sacos plástico para colocar o meu lixo. Não é trocar seis por meia dúzia? Ouvi ou li que um dos grandes problemas das sacolinhas é que elas entopem bueiros - entre outras coisas. Mas o fato é que, na mão de um porcalhão, qualquer coisa vira arma polutidora. Se for assim, não se pode mais vender sofás, porque muita gente larga seus sofás velhos em córregos que inundam quando chove. Esse não é um raciocínio meio torto?

(palpite: o problema são as pessoas e não as coisas)

P.S. se alguém tiver alguma sugestão para jogar o lixo fora sem usar sacolas plásticas (já que o plástico polui etc. etc. etc.), é super bem vinda.

P.S.2. reciclo mais da metade do meu lixo e não emporcalho minha cidade, por isso, me vejo no direito de achar sim que isso está errado.

1 de fev de 2012

Música para Fossa [1]: Reação em Cadeia

Os mocinhos tristonhos
Todo mundo já ouviu falar em música de fossa.... Mas e em banda de fossa? Eu conheço várias bandas que só tocam música com citada temática - tanto que chega a ser cômico, mesmo quando você está mal, o que pode dar uma outra perspectiva ao momento.

Conheci o Reação em Cadeia num momento de fossa juvenil. Mas fossa é sempre fossa, certo? Ou não? Enfim, o fato é que eu ouvi o CD até não aguentar mais - as músicas e a mim mesma. E isso já são uns oito ou nove anos. Uau. O tempo passa e a gente sempre se refaz - e refaz o gosto musical também, tantas vezes.

O som da banda é normalmente pesado, guitarras barulhentas e tudo mais (não, eu não sou musicista:  sou leiga então aqui vão as impressões de uma leiga). As letras são doloridas e dolorosas, do tipo:

"Não vá pensar que eu chorei por você
Não vá pensar que eu sofri por você
Não vá pensar que um dia amei você" (Quase amor)

"O que fazer para encontrar
O norte que ficou a me orientar
Até o dia que declarei sua morte
[...]
Perdi você para mim mesmo
Venho perdendo tudo então" (Perdi você)

"Estou jogando ao vento
Palavras por você
Depois de tanto tempo
Difícil esquecer
Desconstruo minha alma
Não há como saber
Onde estão as respostas
Que existem em você" (Os dias)

"Me desgrace,
Me odeie,
Só nunca esqueça
Que eu amei você
Me difame, me odeie,
Só nunca esqueça
Que eu amei você" (Me odeie)

Oi? Como? 

Não me difame, não me odeie, não me desgrace. No no no - já dizia eu na minha tenra adolescência.

Sou bem eclética quanto a música, tanto quanto ao som quanto a letra - okay, eu sei que não deveria separar uma coisa da outram, mas whatever... -  e tenho um carinho especial por músicas de fossa. Não, não é que eu curta ficar triste (mesmo porque, fossa consome uma energia que dava para alimentar uma cidade como São Paulo por uns três meses), mas acho interessante como um mesmo tema (o quê) pode ser desdobrado dos mais diversos modos (como). Quem me conhece sabe que muito mais me interessa o processo do que o resultado - ou o ponto de partida.

Para mim, hoje, essa é uma daquelas bandas que simplesmente passaram, sabe?

Para quem gosta de um som mais pesado e letras sentimentais (e dramáticas) sem qualquer esperança, Reação em Cadeia é uma boa pedida. Há músicas de fossa que confortam. Se é isso que você está procurando, Reação em Cadeia não é uma boa pedida.