18 de out de 2010

Caminho do desejo

O beijo na bochecha estalou matreiro. Os lábios escorregaram para os lábios: o toque morno espalhou o rosa da alma para os bochehas - beijo estalado. Sem respirar. Mãos se entrelaçam lentamente . Não há pressa aqui dentro porque o mundo parou lá fora. Tão logo, as pernas se confundirão assim como o vestido e o paletó no cabide.

Lóbulo carnudo. Macio. Os lábios o encontram suavemente, escondido entre os cachos de cabelo escuro. Lóbulo de pêssego. Cheiro de cravo. Gosto de canela. Um mar de possibilidades que se apresenta para ambos. Perdidos no tempo. Senhores de si. Esquecidos como um par de sapatos velhos debaixo da cama. Velhos amantes. Trilham o caminho juntos. Tato e Língua. Caminho a dois.

Os lábios caminham resolutos para o pescoço. Ali permancecem impassíveis, como que paralisados por um breve instante. Braços se entralaçam lentamente. Pêlo e pele - e uma sonoridade sem preço. Conhecer a si mesmo como a palma da mão? Não te conheço nem me conheço o bastante, mas posso dizer que simplesmente quero te conhecer todo dia, só para poder escrever em você - e por você ser escrito - todas as novas palavras que aprendermos juntos. Simples assim.

Poderiam passar horas naquele conhecimento do outro que enchia de prazer e temor. Amortemor. A trilha se perdia num suspiro noturno. Hálito de sonho.

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