8 de out de 2011

Diário: O que te faz feliz?

Devo ter chorado umas quinhentas vezes com a campanha publicitária do Pão de Açúcar de dois anos atrás, na qual Arnaldo Antunes, com aquela voz (ah!), entoava:

- O que te faz feliz?

A despeito dos motivos pessoais, eu realmente gostei da singela campanha, na qual a felicidade era colocada como uma coisa bastante simples...

... E não é?

Passei por uma situação bastante desagradável recentemente que me fez reconsiderar uma série de questões. Bom, crise bem aproveitada é crise da qual você sai com algumas coisas mais acertadas, não? Alguém me disse, não lembro quem, que é bom chegar ao fundo do poço, pois uma hora não tem mais como descer -  e é essa a hora de procurar a luz no fim do poço - e do túnel. E eu gosto de luz. Sempre gostei. Sou uma criatura solar.

Hoje, falávamos sobre sentimentos numa das aulas e me peguei perguntando aos alunos:

- O que faz vocês felizes?

Ter dinheiro. Ver meus amigos. Ficar com minha família. Ver meu pai. Ir ao show do Justin Bieber. Brincar com meu cachorro. Sair com minha mãe. Jogar futebol. Dançar a tarde toda. Acordar tarde.
E então eu me perguntei: O que me faz feliz?

(e foi com uma facilidade doce que respondi)

Mas e aquelas coisas que podem te fazer feliz e você só não sabe porque nunca as teve? O não-conjecturado. 

Hoje, recebi um gracioso poema de uma aluna de nove anos.

Não tive escolha: me derreti. Já tinham me escrito poemas e versos, mas nada com aquele olhar, com aquele tom: nunca uma criança tinha me escrito um poema. E é diferente de qualquer coisa que eu já tenha recebido de namorados ou de qualquer outra pessoa.

E me fez sentir outra pessoa. 

Por vezes, não sabemos da importância que podemos ter na vida alheia. Eu mesma disse por esses dias:  

"Boa parte das pessoas procura o amor onde ele não está, em vez de perceber as pessoas maravilhosas à sua volta".

Sim, Arnaldo, eu sei muito bem o que me faz feliz. E agora sei de mais coisas e coisas que me fazem feliz. E sei que o amor está aqui, bem aqui: dentro de mim. E sei também que ele transborda pelos poros das pessoas por aí.

Mas a grande questão não é a de que o amor está lá: está, é fato. Tudo está no modo como encaramos o café partilhado, o riso roubado, o trabalho bem feito, o beijo dedilhado, a conversa de quinze minutos durante a janta, a ajuda com caixas pesadas. Ou o poema de uma criança. 

Um simples olhar, mas não um olhar qualquer.

P.S. Ligeiramente piegas, mas poucas vezes eu me vejo derramada-desarmada assim. Meu sorriso é sincero.

2 comentários:

renatocinema disse...

Essa geração é complicada e, em minha visão, fria.

Temos que continuar lutando contra a maré e tentando ensinar a todos que o sorriso sincero e o poema de uma criança é que são os caminhos para a felicidade que esta dentro de cada um.

Elaine disse...

Larissa, perceber uma "crise" como uma "fonte de luz" não é comum, mas é tão esCLARECEDOR, não é?!

E sim, a felicidade está em "pequenos" gestos.