7 de out de 2011

A Morcega: O incompreendido

Para Scarlet

Ele sempre vinha com a mesma lenga-lenga:

- Ninguém me quer.

E a Morcega, sempre compreensiva, consolava o rapaz com palavras motivadoras e tentava oferecer outros pontos de vista. Ele era um cara muito legal mesmo, fora da média, sabe? Mas o problema era a baixa auto-estima. Foi assim durante anos: ficavam meses sem se falar e quando se falavam era sempre a mesma coisa.

Ele sempre vinha choramingar pelo fato de estar sozinho. Sempre um fim dolorido de namoro.

- Ela terminou comigo.

Sim, a Morcega ponderava com carinho que haveria outras namoradas. Ele era aquele drama, sentindo-se o último homem da Terra: sempre preterido. E era um cara tão legal! Mostrava-se um cara tão acima da média, divertido, inteligente... Especial: era essa a palavra. Como podia estar sozinho? a Morcega se perguntava - e ele também se perguntava, embora secretamente.

Um dia a Morcega encontrou uma antiga amiga, a Insensível. Comentou algo sobre ele e a amiga sorriu cáustica:

- Ele sai pegando geral, sabia? Conta vantagem para os amigos e tudo mais. Conta com quantas ficou por noite, de inseguro não tem nada não. Conta o que fez e o que vai fazer ainda.

- Engraçado. Para mim ele se mostra outro: frágil. Se faz de vítima o tempo todo, me cansa até.

- Vai ver era um ardil para ficar com você.

A Morcega arregalou os olhos como num susto e esclareceu:

- Uma época ele ficou atrás de mim, até que eu o chamei para sair. Ele fugiu. Deve ter medo de mim, medo das coisas de verdade. Acredite. Seja como for, ele não é o que me fez crer, aquilo o que pintou. Não passa de um cara... comum.



Um comentário:

Dai disse...

Só já não fui mais morcega porque me faltou habilidade pra ficar de cabeça pra baixo. Esses tipos existem e aos montes