4 de out de 2011

Quero que meu alterego seja o par maduro

Às vezes eu tenho uns raciocínios tão tortos que me assusto. E em tempos em que confiar no olhar do outro se torna cada vez mais delicado, eu mesma me dou um bom puxão de orelha, ao qual respondo:

- AAAAAAAAAAAAAI! Doeu!

- Então pare de pensar besteira e encare as coisas como são, em vez de olhar as coisas e e você mesma por essa perspectiva torta! - brigo.

Meu outro "eu" me dá colo às vezes, mas o que me dá safanão faz muito mais por mim. Se bem que não há quem diga:

- Tudo vai ficar bem.

como o meu "eu" mais manso.

Não sou de beber, mas às vezes é difícil encarar as coisas com sobriedade. Sem errar na dose. Sem passar o ponto. É a isso que se chama "crescer"? Achar o ponto? Sei lá, mas dói e muito mais do que as minhas pernas doíam quando eu era pequena (diziam que era "dor de crescimento" e olha a minha altura modesta, vai entender?).

Ah! Quero umas férias de ser o par maduro. Sempre. Um dos meus alteregos poderia brincar disso, não? O que não significa que quero para mim o direito de espernear loucamente.

O Cineasta viu umas gracinhas minhas no facebook e hoje, pela manhã, comentou:

- Acho que eu não sou o par maduro, nem nunca vou ser.

Ri.

Juro que tem coisas que eu não faço questão de saber. A ignorância pode ser uma benção. Mas é o conhecimento que nos liberta, não? Conhecimento científico, da vida, das canções da Marisa Monte. Ou do Chico.

Me assusto com a vida, com as minhas obsessões analíticas, jogos empíricos, jogadas certeiras, certezas femininas, feminilidade incisiva. Mas é tudo susto gostoso de parque de diversões. Com direito a algodão doce.

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