2 de jan de 2012

20 e poucos anos: Impotência

Raul bateu em minha porta. E me bateu  um desespero exasperado e intenso por não poder fazer nada por ele. Sim, depois de saber do ocorrido, eu soube que ele viria atrás de mim. Era prepotência da minha parte, mas também a mais pura verdade que ele só sossegaria o peito no meu ombro, nos meus braços.

Me doeu não ter como ajudar. Mas conhecia aquele filme antigo: era a minha mania de querer controlar tudo, de querer salvar todo mundo, de querer protegê-lo - a todo custo. Mas respirei fundo: aquilo tudo estava além do meu poder, do meu controle, das minhas possibilidades.

Tentava sossegar meu coração, enquanto matava a saudade dos cachos de seus cabelos. Tanto tempo que não nos falávamos... Mas eu ainda conhecia o seu cheiro de amaciante, não importando a sua aspereza.  
 Nenhuma palavra para resolver os problemas de Raul. Ele me disse as coisas pela metade e não pedi o resto também: engoli o que ele me ofereceu sem muitas perguntas. Mas o silêncio se constituia um real e genuíno desafio para mim: ele não queria desabafar, preferiu me manter à margem. E assim o fiz: me mantive atrás da linha de giz que ele traçara para mim. E atrás dele, brincava com um cacho de seu cabelo. Minha mão em seu ombro.

Ele tão quieto e eu tão irriquieta. Só tinha que confiar que ele conseguiria resolver. E, certamente, conseguiria. Mas queria tanto poupá-lo do que quer que fosse! Respirei fundo. Havia fugido de Raul há seis meses atrás e agora fugia do meu complexo de Atlas: abracei minha reles humanidade e aceitei para o nosso próprio bem - o meu e o dele - que não havia nada que eu pudesse fazer que não fosse continuar com minha mão em seu ombro, permitindo que o silêncio continuasse a nos invadir e preencher as lacunas de nossos pensamentos.

2 comentários:

Tavão disse...

Lindo, lindo, lindo!

Tavão disse...

Confiar - nesse sentido - não é mesmo tudo?!