5 de jan de 2012

Clara e o que não foi dito

Clara poderia ter dito que admirava as antigas namoradas dele:

- É preciso ser especial mesmo para fazer você querer ficar.

E ainda:

- Esperto é você que não se entrega logo de cara, que se guarda dos outros.  stá aí uma coisa que você me ensinou.

Mas limitou-se a sorrir e dizer com ternura:

- No fim das contas, a despeito de tudo o que imaginei e desejei (e de tudo o que fantasiei sobre nós), percebi que fui apenas mais uma menina com quem você saiu. E, você, apenas mais um cara que eu conheci.

- Nossa, não é assim! - sorriu ele.
- Estou sendo prática - ela devolveu o sorriso.

- Até demais - respondeu ele.

E Clara limitou-se a rir das previsões que ele fizera para ela, quando estivesse lá pelos seus trinta anos.

(Ela completaria mais tarde:

- Sempre é muito tempo, mas acho que sempre vou gostar de você).

Clara estava ainda muito longe de entender os mecanismos da paixão. E também já não estava tão preocupada com isso. Pensava no que não tinha dito. Ah. Deu ombros. Havia coisas que eram melhores lidas do que ditas. Mas, dessa vez, ela não iria escrever. E ele não saberia lê-la, de qualquer modo.

Um comentário:

£ädÿ disse...

acho que ninguém saberia ler. é muito difícil ler os outros e entender. eu acho.