7 de jan de 2012

Era uma vez a deturpação de um conto de fadas qualquer [1]

O belo Príncipe estava sentado em um barco emprestado. Observava sua amada, seus longos cabelos presos com um pente de pérolas, as escamas da cauda cintilavam ao sol. Queria tê-la mais perto, mas ela insistia em continuar repousando sobre as pedras úmidas no meio do mar.

- Por que você faz isso? - perguntou ele, magoado.

- Isso o quê? - perguntou ela sem entender.

- Se mantém longe de mim! - explicitou ele.

- Ah...

Seu "ah" era doce e arrastado. Escorregou das pedras e nadou até seu amado, se apoiando no barco.

- Por que você faz isso? - quis saber ele, tocando-lhe de leve o rosto.

- Isso o quê? - ela sorriu.

- Me mantém na sua superfície. Não conheço as profundezas do seu ser. Não sei o que se passa dentro de você, no seu íntimo, na sua mente, no seu coração. O que eu tenho de você é tão pouco! - entristeceu-se ele.

- Ah é? - perguntou ela com doçura.

Num piscar de olhos - maliciosos - , ela puxou-o do barco para as profundezas. O corpo silenciou-se num splash. Com ou sem entrega? Não saberia dizer. Só sei que o belo Príncipe nunca mais foi visto.

Se ele tivesse conseguido enxergar além da superfície de sua amada, talvez tivesse visto. 

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