10 de jan de 2012

Quinzinho não vai ao hospital

Por Frau Forster, 2011.
E então lhe disseram que era A, B e C. Quinzinho sorriu complacente. E outra pessoa lhe disse que era 1, 2 e 3. Quinzinho sorriu paciente. Cada um disse como ele devia agir diante daquela nova situação. Se arrependeu de ter contado. Bom, não contasse agora, seus cabelos (ou a falta deles) iam contando aos poucos.

Saiu para dar um volta. A cabeça cheia dava voltas e mais voltas. Começou a chover fraco e ele se deixou molhar. Não que nunca tivesse valorizado as pequenas coisas, mas diante do que podia acontecer, seus sentidos tornavam-se mais aguçados. Assim como suas lembranças:

- Quero um desses - ele dissera para a última namorada, apontado para um menininho no Jardim Botânico.

Ela sorrira seu belo sorriso - amarelo. Separariam-se um pouco mais tarde. Pensava em Lili às vezes. Que fim teria levado? Sentia tudo tão intensamente, tão ardua e ardidamente. Doce e amargo. Precisava de um gole de qualquer coisa. Mas não bebia.

Estavam todos errados sobre ele, mas sentiu, pela primeira vez em muito tempo, dificuldade em dizer quem era. Era um esboço de qualquer coisa - bondosa e sem ostentação. Uma pessoa simples com desejos simples. Quero ser seu par

(queria ter tido filhos)

Parou no ponto para esperar o ônibus. Consolação ou Paraíso? Para onde estava indo mesmo? Sentiu-se mal. Era a terceira vez naquele dia. E não tinha a quem chamar. 

- Não, não se faça de vítima.

(sua promessa de dez anos atrás)

Queria ligar para Clara, mas ela estava fora do país. Talvez chamar Lô. Suas duas garotas, agora tão distantes. Que fazer? Nada. Deixou-se passar mal no ponto do ônibus e de lá não sairia. Não sem saber antes quem tinha se tornado.

Escrito em 04/01/2012.

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