31 de ago de 2010

(Des/Re)encontros

Contei à Diva Ruiva sobre as coisas que estavam acontecendo - suavemente:

- Eu sabia - ela sorriu - era só uma questão de tempo.

Sim, talvez ela estivesse certa. Talvez fosse só uma questão de encontros, desencontros e reencontros. Eu sorri. E tinha todo o tempo do mundo.

A bolha

Conversávamos:

Ele: - Acho que já está na hora de você sair da bolha...

Eu: - Você tem razão. Plof!

Ele: - O que foi isso?

Eu: - O barulho da bolha estourando.

(boas novas vêm por aí.)

30 de ago de 2010

Maurício+Malu: Mau-humor

Malu chegou fula da vida em casa. Bateu portas. Descarregou sua metralhadora verbal sobre Maurício.  O primeiro impulso dele teria sido o de revidar: ficaria vermelho e sentiria o seu sangue ferver. Mas nem chegou a se levantar do sofá: estava aprendendo a lidar com o mau-humor alheio. Principalmente o dela.
Olhou para ela com carinho e com o máximo de compreensão que pôde (sim, ela estava sendo injusta com ele) e, com muito jeito e doçura, foi acalmando-a lentamente. Trouxe-lhe um chá gelado, ofereceu-se para que ela desabafasse. Malu desabou sobre o sofá e sobre o seu ombro. Um abraço. Maurício sentiu-se feliz por não ter revidado. Raiva não se combate com raiva - ainda mais quando se está falando se alguém que se quer bem. 

Diário: Se eu fosse um peixinho...

Estava na sala dos professores quando ouvi um agradável coro infantil:

- Se eu fosse um peixinho e soubesse nadar, eu tirava a Isabela do fundo do mar...

Uma sensação boa me tomou inteira: saí para o pátio e vi as menininhas brincando de roda. Fiquei feliz em ver que as crianças ainda brincam dessas coisas.

29 de ago de 2010

Quinzinho e o último sonho

Já era tarde e Quinzinho estava exausto. Uma sexta-feira cheia de problemas não resolvidos, pessoas insatisfeitas, queixas a serem recebidas. E ele não consegui respirar, soterrado que estava ainda pelo trabalho. Só deixara o escritório fisicamente, pois sua cabeça continuava a seguir os tic-tacs dos prazos e chefes.

Por quanto tempo ele sobreviveria naquele mundo que não era o seu?

Ele não conseguia respirar. O coração bate descompassadamente. Ele parece arrastar-se eternamente. Pegou suas coisa e saiu. Logo ganhou a rua e estava na estação de trem. Pagou o bilhete - saudades do tempo em que pagava meia - e sentou-se num banco. 

Esperava o trem. Esperava respostas. Esperava que a vida mudasse e num passe de mágica as coisas fossem outras. Vivemos esperando...

O estômago, roncando, o chamou a realidade, ao cinza asfalto, à solidão do seu quarto, a incompreensão alheia. E ele, que costumava levar a vida com leveza, se viu como que engaiolado dentro de si mesmo.

Seu estômago roncava. Quem tinha colocado aquele gato em seu estômago? 

Levantou-se e seguiu em direção a lanchonete. Lá chegando, avistou o último sonho. Pediu para a atendente, mas alguém ao seu lado pediu ao mesmo tempo.

- O último sonho, por favor.

Quinzinho olhou para a moça. Era ela. Lili. Visivelmente abatida, mais aérea do que de costume.

- Pode ficar com ele - ela sorriu.

- Não, eu faço questão. Eu pego outra coisa - ele respondeu.

- Mas não tem mais nada... - ela explicou.

E não tinha mesmo. Ele insistiu em deixá-la com o doce. Lili recusou e rapidamente sugeriu:

- Por que a gente não divide o último sonho?

Quinzinho tragou seu primeiro gole de felicidade do dia e aceitou. Sua versão de poucos segundos atrás ficou para trás.
 

Entrega

Em todos esses anos, eu ainda não consigo entender porque as pessoas se sentem a vontade para desabafar comigo, para abrirem seus corações, para contarem o que se passa em suas vidas. Já ouvi coisas como "eu nunca disse isso p'ra ninguém antes". Já ouvi tantas coisas e nem sei como as pessoas se sentem confortáveis em se entregarem assim para mim.

Seja como for, é sempre uma honra.

Donzelas indefesas

As duas amigas conversam:

[...]

A: - E você acha que eu tenho pinta de donzela indefesa encastelada?

B: - Não, definitivamente não.

A: - Ah! Obrigada! Eu já 'tava ficando preocupada com essa possibilidade...

28 de ago de 2010

Diário: Pop rock internacional

Fui pegar um cineminha hoje. Estava querendo ver o filme há uma semana e por conta de uma mudança de planos não tinha conseguido. Cheguei com bastante antecedência e qual não foi a minha surpresa quando a atendente me informou:

- É o último lugar. Pode ser o F8?

Bom, pelo jeito era o meu dia de sorte. Escolhi o tal lugar e fui dar uma volta na Livraria Cultura. Ainda era cedo. Despretenciosamente, olho vinis e boxes de séries. Logo me deparo com uma seção de filmes cult. Alguns nomes eram bem familiares. De outros, eu nunca tinha ouvido falar.

Depois de fazer uma lista mental do que assistir, sigo para a seção intitulada:

POP ROCK INTERNACIONAL

Radiohead, Smiths, R.E.M, Siouxsie & the Banshees.... Todos convivendo harmonicamente. Claro que o nome da seção já tinha me feito torcer o nariz: gosto de pop e de rock, mas jogar tudo no mesmo caldeirão não rola. Okay, não gosto muito de pop, mas tento manter os ouvidos abertos. E claro que não foi a Livraria Cultura que instituiu que pop e rock andam juntos... Isso sem contar do quão comercial se tornou o rock - mas isso são outros quinhentos...

E claro que nessas, Vanessa Hudgens acabou lado a lado com U2.

(nada contra V. Hudges)

Nota: Para aqueles que assistirem Meu malvado favorito, há uma referência de um dos grandes clássicos do cinema - claro que só os adultos vão entender.

Ouvindo Lost (Morrissey)

27 de ago de 2010

Lili e o refrão de bolero

... diz adeus [2]

Algumas coisas pareciam querer se repetir, mas Lili era outra - por dentro e por fora. A estação de trem era a mesma, a mesma onde há quase um ano havia deixado o Pequeno Príncipe, Thor e o Homem de Lata. E agora, estava prestes a deixar mais uma pessoa para trás.

Muitos enganos. As coisas não eram mais exatamente como pareciam. E ela estava bem. Já tinha pensado muito e viu como fazia sofrer a si mesma e àquele que a acompanhava. Negócio desfeito. Encontraram-se, viram-se e disseram "adeus". Cada um para seu lado. Tudo com seriedade e eficiência.

Seu trem chegou na estação e ela não hesitou. Não mais. No alarms and no surprises. A sua certeza era uma coisa delicada, mas firme. Entrou no vagão e não olhou para trás.

... e o Brilho eterno de uma mente sem lembranças [2]

A despeito do fim, tinham tido bons momentos. E ela logo saberia de histórias várias. E simplesmente não entenderia. Não entenderia a necessidade homérica que ele tinha de esquecer, de apagá-la. Espuma do mar. Teria o tempo com ela sido tão terível, tão digno de ser esquecido? Não teriam tido coisas boas? Que desejo era aquele - maior do que o que ele um dia havia tido por ela?

Mas ela entenderia. Na verdade, ela suspeitaria que entederia. Mas antes de qualquer suspeita, seu coração já estaria sereno, certo de ter feito o que podia. E sabia que ele, do outro lado do mundo, estaria bem também e igualmente sereno.  E era isso que ela queria: que ele estivesse bem. E teria se esquecido dela, de tudo, como se nunca tivessem se conhecido. Uma borracha passada na história de ambos. Ele queria esquecê-la porque tinham sido felizes. Ele queria esquecer que tinha sido feliz.

Futuramente, é essa a explicação romântica que Lili vai encontrar. Ela ainda é um tanto romântica - tolinha - mas nada que algumas semanas não apaguem e mostrem a ela uma outra possibilidade mais paupável:
- Sou uma monstrenga!

Todavia, por ora, ela está sentada dentro de um vagão com muitas coisas passando por sua cabeça.  Sem nunca se esquecer de quem é ou do que já conseguiu. O estômago, roncando, a chama de volta à realidade.

Está indo de volta para casa.

(e são tantos os caminhos)

Diário: Gracejo

- Olhem pra ela! - disse Paulinho e todos os meninos me olharam - É bonita, gosta de games e adora inglês! É a mulher perfeita! Deve ter alguma coisa errada, não é possível...

Os coleguinhas nem deram muita atenção para ele: já estavam acostumados com seu jeito exagerado. E eu pensando comigo mesma: ah se bastasse ser bonita, gostar de games (ele ficou muito impressionado quando eu falei de Rock Band) e adorar inglês... Mas, graças a Deus, nossas exigências mudam não?

Ele me acompanhou até a sala dos professores, me ajudando com o material. Perguntou da aliança no meu dedo. Respondi.

- Opa! É minha chance!

- Paulinho!

- Ah! Me diz que você espera uns anos aí por mim vai! Sete anos passam rapidinho!

Eu agradeci a ajuda e me despedi. Sozinha, eu ri. Um gracejo é sempre um gracejo. Paulinho me mostrou outro dia um poema que escreveu. Uma professora me disse:

- Ele não escreve como um menino de 12 anos...

E não escreve mesmo. Até me lembrou de alguém que conheci quando tinha essa idade, mas claro que o rapaz em questão não era atrevido como Paulinho. Paulinho é muito inteligente, esperto e comunicativo. Entretanto, é bagunceiro e dificilmente faz a lição. O que não me faz gostar menos dele. Seja como for, é engraçado estar no outro lado, na mesa do professor, e imaginar o que se passa na cabecinha dessas crianças. 

Parece que foi ontem que eu era uma delas...

26 de ago de 2010

Fale com ele [1]: Pescoço e Star Wars

Decidi começar essa série por querer entender certas coisas do mundo masculino. Em algum momento já perguntei isso a homens que ou não souberam me responder ou não me deram respostas satisfatórias.
1) O que um pescoço feminino tem de tão especial? Pela segunda vez ele comentou como eu fico bem com o cabelo preso, porque pescoço/nuca ficam à mostra. Eu já fiz essa perguntas à algumas pessoas do sexo masculino e não souberam me responder com precisão.
2) O que os homens vêem em Star Wars? Meus ex-namorados adoram e vários amigos também. Eu acho bem legal, mas por que S.W. é tão demais?


Da leveza

A leveza do vestido de verão, da nuca à mostra, do perfume cítrico, do meio sorriso, dos joelhos nus.  Parece verão é tão deliciosamente bom... Esta paz cá dentro a me fazer gostosas cócegas.

Holmes!

Depois do e-mail carinhoso de Holmes, eu percebi como sou abençoada por ter os amigos que tenho. Nada como chegar em casa e me deparar com uma mensagem daquelas. Logo te respondo a mensagem. Sim, você está certo quanto à J.P., mas não conhece o Historiador nem a Diva Ruiva.

Obrigada, meu irmão.

24 de ago de 2010

Diário: Goodbye to romance e outras coisas

Para os meus Amigos 
(incluindo o Felino)

Este mês de agosto não está me parecendo muito animador para os e(x)namorados: vários relacionamentos terminando - inclusive o meu. Casamentos que pareciam durar eternamente. Casais feitos um para o outro. Tudo deixou de existir. Bom, mas isso é aquilo o que se vê. Entre quatro paredes a história pode ser bem outra. Todo o fim pode ser uma faca de dois gumes. Seja como for, é sempre uma escolha.

Conversando com a Diva Ruiva, talvez eu tenha posto em cheque a minha idéia de amor romântico. Sinceramente, não sei, nem me preocupo em saber. Mas tudo parece mais complicado agora. Não, a palavra não é complexo, é complicado mesmo. O que me fez lembrar de uma vez em que eu conversava com o Historiador e lhe disse que achava que, em certos momento, era necessário pôr o sentimento no papel.

- Mas se você faz isso não quer dizer que já tem algo errado? - ele perguntou.

Sou obrigada a concordar, mas usar a razão é importante. Acho que ir só pela emoção e pelo impulso não funciona. É preciso equilíbrio. É preciso ponderar algumas coisas. Entretanto, talvez o fato de ponderar realmente indique que há algo errado. Talvez a mera cogitação de ponderação indique problemas. Mas dá para sentir sem pensar? Se há um problema, a idéia é tentar trabalhar o que está errado não? O que não é garantia de nada. O que não é impecilho para dar a cara a tapa. Adoro essa expressão... Dar a cara a tapa... O que não significa ser ingênuo e bater na mesma tecla para sempre - murro em ponta de faca uma hora sangra.

É preciso tocar outras notas. Outras canções. Outros instrumentos.

Mas eu não sei se amar é ir até o inferno por alguém. Digo isso em relação a parceiros. Não a filhos. Filhos já são outro departamento. Acho que por filhos vale a pena fazer tudo mesmo. Mas eu não sei até onde se pode ir por amor. E se for outra coisa que não amor? Ai que cansaço...  Respondo com um carinho, um bocejo e um afago:


Esse fim de semana vou ver vários amigos que não via há tempos. E mesmo que não os veja tanto gostaria (afinal, todo mundo trabalha e mora longe), eles me acompanham, são parte de quem sou. Estava pensando na Garota de Leeds (já de volta ao Brasil), uma das pessoas mais sagazes e inteligentes que conheço. Certa vez, ela me disse que na nossa sociedade há uma cobrança muito grande para que sejamos alegres o tempo todo. E acho que é bem por aí.

Mas eu não ligo para essa cobrança, posso estar alegre ou triste, a despeito do que os demais esperem - ou queiram. E aí eu pensei numa coisa:  O que você faz quando você não sabe lidar com algo? Há várias possibilidades e uma delas é, sem dúvida, a rejeição. Há gente que rejeita a tristeza por não saber lidar com ela. Há gente que não suporta ficar sozinho porque vai se deparar consigo mesmo e isso não parece ser boa coisa. 

Eu me dou o direito de estar feliz e de estar triste. E vou chorar quando precisar. Seja por tristeza ou raiva. O lance é que se, por um lado, não dá para viver  alegre com um sorriso de orelha a orelha o tempo todo, por outro, não dá para viver triste o tempo todo. Tristeza cansa. Foi como eu disse ao meu querido J.P., uma das melhores pessoas que conheço:

- Tenha o seu tempo de luto, mas não deixe que isso te cegue para a vida lá fora.

Volta  e meia me deparo com uma forte sensação de lucidez. Aquele lucidez dos que estão prestes a morrer. Por breves segundos, a vida é clara e simples. Ela tem gosto de Fanta laranja e cheiro de shampoo de erva-doce (eita coisa boa!).

Algumas pessoas dizem que sou muito dramática. Sim, tenho meus momentos de drama, mas sou sóbria a maior parte do tempo. Mesmo quando converso com antigas paixões do passado sobre as antigas paixões do passado. E, hoje, tento recuperar uma importante amizade de um passado recente.

Esta noite, estou dançando The way you look tonight num belo vestido longo. E isso é tudo o que me importa.

"Sei a verdade e sou feliz" (Fernando Pessoa)

********************

Na sala de aula, um menino simpático resmungava sobre a atividade que eu tinha passado. Eu olhei para ele com carinho:

- Você só faz o que gosta, J.?
- Faço - ele respondeu sorrindo sincero.
- Mas, durante a sua vida, você ainda terá que fazer muitas coisas que não gosta. Quanto mais cedo se acostumar com isso, melhor.

A classe ouviu em silêncio. E o que eu tinha acabado de dizer reverberava dentro de mim. Era Tia Ninota quem falava por mim. Aquilo servia para mim também: nem sempre as coisas são como a gente quer, mas se fizermos a nosso melhor ou simplesmente formos humildes, o fardo é mais leve. Há o momento para a revolta. E há o momento para a aceitação. 

Isso é amor [2]

Ela e ele conversam:

- Você vai me desculpar, mas isso não é amor.

- Ah é? - fúria - então como você chamaria isso?

- Tesão, paixão, flerte, paquera, romance.... O que você quiser. Isso é qualquer coisa menos amor.

- E como é que você sabe o que é amor?

- Na verdade, eu não sei o que é amor. Mas eu sei o que não é.

Diário: Pequenina

Às vezes é difícil enxergar algumas coisas no calor do momento. Só depois, mais tarde, você realmente consegue captar o modo como elas funcionavam - e o porquê de não funcionarem corretamente. Afinal, certas coisas só na carne mesmo. In the flesh.
Eu conversava com Charlie sobre minha próxima aquisição. Fiquei pensativa.

- Acho que fui sumariamente desprezada por ela.

- Por quê?

Respondi.

Charlie me olhou. Pensativa.

- Sim, você foi.

- E você acha o meu plano digno de desprezo?

(esse desprezo mudo de monge)

- Não, de modo algum. Ela pisou em você para que pudesse se sentir mais importante....

- Ai! Como isso é triste.

- É.

- Até me lembra uma coisa que J.P. me disse e ouviu de um professor na faculdade: complexo de superioridade e de inferioridade são a mesma coisa, mas em momentos diferentes.

Charlie ficou pensativa. Eu também. Esperávamos nossa carona enquanto o sol se punha numa movimentava avenida da zona sul de São Paulo.

Ela olhou para mim:

- Isso sim é triste, mas é verdade.

23 de ago de 2010

Diário: Sabadão

Sim, eu tenho amigas artistas e fui ver uma delas no sábado a noite: a adorável F.V. Amaral. Não só escolheu com sua parceira um repertório variado e excelente, como também cantou uma música de uma das minhas bandas preferidas.

Felizmente, consegui a gravação e a autorização dessa minha amiga para postar aqui no blog um vídeo de Commercial for Levi.

Espero que curtam tanto quanto eu!


(eu daria tudo por uma cópia de Dream a little dream e My girl com a voz dela...)

Mais duas músicas:


*I-feel-like-singing mode on*

22 de ago de 2010

Educação Sentimental (parte II)

Do lado de dentro

Ela abriu a porta. Segurava um copo de Fanta na mão esquerda. Seu olhar de pão fresco recebeu-o com o afeto costumeiro. 

- Logo cedo? - ele pergunta, indicando o copo.

- Você fala como se fosse álcool - ela sorri.

Clara se aproxima e lhe dá um suave beijo no rosto.  Ela exala cheiro de sabonete, cheiro de banho. Seus cabelos estão levemente úmidos. Seus lábios também.

Louis entra, mas não sem hesitar antes. Conseguiria sair de lá depois de entrar? Mas a pergunta, na verdade, era outra: será que ele iria querer sair? Não conseguia parar de imaginar como teria sido a vida com ela. Sim, entre eles um breve quase. Um suave sopro. Um ensaio de romance.

Conhecia aquele sorriso. Encontros e desencontros. Entrou. Quadros coloridos. Muitas fotografias. Livros espalhados por toda a parte. Talvez houvesse ordem dentro daquele caos. E parecia haver ordem dentro de Clara, tão serena que estava apesar de tudo. Estranhamente, tudo parecia estar em seus devido lugar. Ele mesmo parecia estar em seu devido lugar, no apartamento de Clara.

- Já faz um bom tempo que não nos vemos... - ele se senta numa poltrona, perto da janela.

- É... Uns bons meses - ela brinca com uma gota que escorre do copo.

Ela lhe oferece um café, ele recusa. Louis está um pouco desconfortável. Parecia que tinha sido ontem... Ele ficou pensativo. Olhava pela janela, procurando os pardais no pessegueiro. Tudo para evitar que esbarresse consigo mesmo pelos corredores.

- Então - um gole de Fanta - você queria conversar? Está com problemas?

- É. Tem umas coisas acontecendo...

- E você quer conselhos meus, é isso? Você sabe bem a minha opinião sobre conselhos, não?

- Sei sim. Só queria alguém para conversar.

- E não tinha mais ninguém?

- Bom, ter até tinha. Mas eu gosto de falar com você. E queria te ver.

- Ah!

Ele conhecia aquele "ah!". Ela levantou os olhos do copo. Cruzou as pernas no sofá. Olhou para ele significativamente. Mas o que será que aquele sorriso significaria? Mal sabia ela os mistérios que poderia esconder. Mal sabia ele que não ela transparente como julgava.

- Bem, então sobre o que quer conversar?

Ele hesitou.
- Ela está ameaçando me deixar.

Clara sorriu.

- E você veio aqui para conversar comigo sobre a sua esposa? Entendo.

Ela suspirou.

- Na verdade, eu não entendo. Acho que você continua confuso como sempre... Não sabe o que quer.

Clara parou: sentiu que avançava num terreno alagadiço.

- Eu soube que você andou doente... - perguntou com cuidado.

- É verdade - ela olhou pela janela.

- Pensei em te visitar...

- Que bom que pensou.

Agora era ele quem avançava por um terreno alagadiço.

- Então, por que ela quer te deixar?

- Bom, nós temos brigado muito. Nós dois somos ciumentos e inseguros e ela diz que tenho sido muito ausente.

- Se faça presente então - ela disse com desdém surdo.

- Não adianta - ele suspira.

Clara olha para Louis. Por que as pessoas complicam tanto a vida? Por que amar simplesmente não basta?

- Acho tão engraçado... 

- O quê?

- Depois de todo esse tempo, do nosso quase romance, de tudo o que ficou no ar... Você chegar à minha porta para isso.

Louis não disse nada.

- Você tem razão, eu não deveria ter vindo - suspiro profundo.

- Eu não disse isso.

E os fios se emaranhavam novamente. Novos nós.

(continua)


Star Wars: a verdade por trás das câmeras


20 de ago de 2010

Brokenhearted

Até pouco tempo atrás, eu pensava que terminar um relacionamento era um ato de covardia. Depois, comecei a pensar que poderia ser também um ato de coragem. Conversando com Charlie, fomos mais longe: terminar um relacionamento poderia ser um ato de misericórdia.

Eu perguntei à ela:

- Misericórdia para quem?

- Oras... Para todos os envolvidos.

Hoje vejo que ela tem razão. E digo mais: terminar um relacionamento pode ser um ato de bom senso. O que não torna tudo menos doído, naturalmente.

18 de ago de 2010

Desarmamento

Não, eu não ando armada por aí. Mas o problema é esquecer o colete à prova de balas. Isso sim me faz falta, não armas. Jé levei tiro sem perceber, por não ter sentido nada. Só constatei depois porque me disseram. Nem sangrar tinha sangrado. Isso porque eu simplesmente não tinha percebido.

Mas, das vezes que fui atingida, voltei para limpar o sangue com Ajax Festa das Flores. Deixei tudo limpo e em ordem. Depois, linha e agulha: hora de tirar a bala e costurar a ferida. Sou boa para consertar coisas. Remendos quando necessário. Delicadeza e precisão.

Então, acalmem-se todos: eu não saio armada por aí.

Zeca e sua decisão

Sim.

Zeca já tinha percebido que ela era o grande amor de sua vida. (ou talvez fosse só impressão...)

Sim.

Ele era um poço de orgulho. Poderia até admitir certas coisas para si, mas nunca para ela.

Assim, por orgulho, não voltou para pedir desculpas ou tentar um reconciliamento, mesmo sabendo que ela ainda o amava. Preferiu devotar-se a si mesmo, deixando que o seu amor passasse. Um dia passaria.

(como um dia passou)

Mas o preço que pagaria, mal sabia ele, era alto. Depois de tudo. ele tinha conseguido tirá-la de sua vida, mas ela lhe tiraria o sono até que ele realmente a deixasse ir de dentro de si.

(enquanto ele pensava em como ela tinha falhado, ela se preocupava com ele, em como ele estaria se sentindo e tocando sua vida. era exatamente isso o que os separava)

Das camisas passadas

Parece que eu voltei à Era das Camisas passadas. Mas agora parece ser pior, parece doer muito mais. Entretanto, estou um pouco mais forte. Acho que até ponderando melhor a minha vida. Eu não sou quem eu era há um ano atrás. Não mesmo. Não sou quem eu era no começo de 2010. As pessoas têm comentado. Ele elogiou a minha independência e isso me fez rever muita coisa. É difícil eu me sentir perdida, mas quando isso acontece, eu lembro do que J.P. me disse há mais ou menos um ano atrás: vejo que isso eu consegui melhorar mais e sei e sinto que estou no caminho certo.

(Enquanto isso, acho que Juju Kubitschek está morrendo na mesa de operações, depois de levar três tiros a queima roupa)

17 de ago de 2010

As sementes de girassol não aquecem meus dias

Ontem, ela me ouviu pacientemente. Na verdade, ela sempre me ouve pacientemente. Contei-lhe o que estava acontecendo, sem qualquer drama ou emoção. Tão sóbria que dava medo. Tão lúcida que me assustava. Era assim que eu me sentia - entre outras coisas, naturalmente, coisas que me fizeram querer conversar com ela.

Ela, sem drama ou emoção, me disse o que achava. E depois de um tempo, já não sabia o que dizer. Eu sorri o meu sorriso de "por onde ir agora?" e continuei. Na verdade, eu já sabia.

Na nossa diferença, nos respeitamos e isso é tão raro. Falamos sobre necessidades, sonhos e projetos. E eu ficava lembrando dos passarinhos que tinham passado a tarde comigo, quer dizer, eu do lado de dentro de casa e eles no canteiro, comendo pedacinhos de pão e sementes de girassol.

As coisas estão voltando ao lugar, embora eu esteja saindo da minha zona de conforto. É bom pisar em terra firme de novo. Sim, resolvi aportar. É uma necessidade neste momento: sair descalça em solo novo.

Engraçado como este ano não está saindo como planejado. Nem mesmo com o que parecia tão certo. E, de repente, isso não parece tão ruim. Às vezes, acho que antes que alguém te imponha ou ofereça uma mudança, é melhor que você faça e abrace a sua. Seja como for, eu continuo desconfiando, caso  haja verdades universais demais. E agora é hora de eu ver de que sou feita.

Está frio.

16 de ago de 2010

Take it back (Pink Floyd)

 

Her love rains down on me easy as the breeze
I listen to the breathing it sounds like the waves on the sea
I was thinking all about her, burning with rage and desire
We were spinning into darkness; & the earth was on fire

She could take it back, she might take it back some day

So I spy on her, I have lied to her, I make promises I cannot keep
Then I hear her laughter rising, rising from the deep
And I make her prove her love for me, I take all that I can take
And I push her to the limit to see if she will break

She might take it back, she could take it back some day

Now I had seen the warnings, screaming from all sides
It's easy to ignore them God knows I've tried
All of this temptation, you know it turned my faith to lies
Until I couldn't see the danger or hear the rising tide

She Could take it back, she will take it back some day

She Could take it back, she will take it back some day

She will take it back; She will take it back some day
 

13 de ago de 2010

Enough

Ela estava sozinha na copa. No pote de cup noodles à sua frente deveria ter algum frango.  Era o que dizia a embalagem - "frango com molho de legumes". O garfo navegava pelo macarrão enquanto seu pensamento ia lá longe. Tão longe. Costumava jantar sozinha, o que lhe dava bastante tempo para pensar sobre questões existenciais da vida - ou simplesmente essencial como era a questão em questão.
Nem mesmo com a geladeira e com o microondas ela dividiu a sua tristeza. Preferiu guardar. E foi tudo vivido com menos alarde do que qualquer um ao seu redor poderia esperar. Nada tinha muito gosto e ela tinha nenhuma fome. Um vazio de eco eco eco. 

Enrolava o macarrão sem a intenção de comê-lo. Os fios da massa se confundiam como os fios da vida dela se confundiam com os de outras pessoas. E se formavam os nós. Mas e o que aconteceria se os nós arrebentassem? Só sabia que sentia-se como que mergulhada no pote do insosso cup noodles

Seria ela o cup noodles?! Recusava-se a acreditar naquilo. Pensou na lista mental que fizera e pouco depois tirou da bolsa a lista real, como as coisas que lhe haviam dito. (In)felizmente, não era possível concordar com tudo. Circuloutrês ou quatro itens - não chegou nem à metade. Tinha defeitos, muitos mesmo. Mas não eram aqueles. Triste era sentir como aquilo não tinha muita diferença. E como ela já não conseguia fazer a diferença. Era tudo uma questão de insuficiência existencial e coronária: sua mera existência e esforços de progresso não causavam grande impacto; seu coração não era o bastante. Queria ser mais, não se contentaria em ser o bastante, mas não estava se saindo bem nem com o segundo.

E para a sua (in)felicidade, ninguém morria disso. Não, pelo menos, alguém como ela.

(ela lembra das aulas de inglês: enough)

(secretamnete sorri ao lembrar-se da sábia frase: "você não é uma vítima" e aquilo a conforta ligeiramente)

- Okay, sem grandes dramas - ela começa a comer o seu macarrão.

Se por um lado, não cultivava a tristeza, por outro, não forçava a alegria - deixando-se solta ao vento vespertino. Mas era noite e esfriava. Não dava para ver nada da janela minúscula quase no teto. Queria escapulir sorrateira, tal qual faria um gato ao reconhecer-se derrotado. As pessoas liam nos seus olhos o que neles estava escrito. Quis não ser tão transparente. Mas, àquela altura, que diferença fariam aquelas bobagens que sentia?

Está frio.

11 de ago de 2010

Declaração

Estavam ao telefone, falando sobre filmes e música, como de costume. De repente, ele disse:

- Eu te amo.

Ela não estava esperando por aquilo: era a primeira vez que ouvia aquilo dele. Sem saber o que dizer, respondeu:

- Eu te amo também.

Entretanto, disse sem sentir. Foi mais por reflexo do que por sentimento.

Mais tarde, descobriu que ele também não sentia, embora ele mesmo não soubesse a princípio.

10 de ago de 2010

Auto-afirmação

Cada um se auto-afirma de um modo diferente. Alguns vão pela habilidade no futebol, outro por músculos definidos ou decotes insinuantes. Força física. Desmonstrações de poder. Dominação. Posse. Histórias sexuais. Experiência sexuais ou mesmo de vida. Dinheiro. Humilhação. Eloquência. Violência. Conhecimento. Isso não me intimida mais.

Se há gente que se auto-afirme dessas maneiras isso simplesmente não é da minha conta - a não ser que para que alguém tenha que se sentir bem eu tenha que ser humilhada. Aí estou fora. Acho que a minha auto-afirmação funciona pelo modo como eu levo o meu trabalho à sério. Meu perfeccionisto não tem  a ver com mostrar para todos que sou a melhor, porque eu não sou melhor do que ninguém, mas sempre melhor que já fui. Longe disso, estou preocupada em fazer o meu trabalho bem feito, a despeito do que fazem os outros. Porque tudo o que faço, faço com amor. Dou o meu melhor em tudo o que faço. Simples assim.
 
Me preocupo muito mais com o que eu sou do que com o que eu ainda não sou. Tem coisas que nunca vou ser - nem quero. Talvez meus valores entrem em choque com os dos outros de vez em quando, ainda que eu não tenha para mim nada de outro mundo. Reconhecendo o que precisa ser melhorado, eu trabalho nisso.

Minha auto-afirmação também se dá pelo fato de escrever. E isso desde 1900 e bolinha. Incrível como ainda funciona. É como eu disse ao meu amigo J. P.: tem coisas que ninguém tira de nós e é nelas que temos que nos concentrar. Porque o resto pode ser levado na primeira enxurrada que enfrentarmos. E isso, esse gosto pela escrita - e me atrevo a dizer sim um certo talento - ninguém pode tirar de mim.

Só estou pensativa hoje...

E me lembrei do maior elogio que recebi até hoje e que foi, por sinal, proferido pelo mesmo amigo J.P. De repente sinto que nossos valores, se não são os mesmos, estão próximos. É sempre um consolo.

8 de ago de 2010

As belas que me desculpem

Ficou olhando seus cabelos escuros escorrerem lascivos pelos ombros claros. Rosto redondo, olhos amedoados castanhos. Traços e gestos expressivos. Um nariz delicado, a boca bem desenhada. Dentes perfeitos. Era miúda, pequena. Belas pernas e braços. Cintura e busto. Medidas perfeitas. Não era do tipo de chamava a atenção na rua, mas era um bocado bonita.

Era tão bonita. E aquilo já não lhe fazia a mínima diferença.

6 de ago de 2010

Canções especiais

De tempos em tempos aparece uma música que mexe de verdade comigo. Às vezes é um amigo que recomenda. Noutras, é tudo questão de garimpar o que há em casa. E ainda posso achar muita coisa boa em filmes.

Gostei muito de Elizabethtown (2005). Mexeu comigo quando assisti (em 2006?) e ainda mexe. bastante Esbarrei com uma parte de mim no filme e me apaixonei pela trilha sonora, em especial por essa música de Elton John:


Não sei ao certo sobre o que fala a música, mas não estou me preocupando muito com isso. Essa é uma daquelas músicas que me dá força e me faz olhar pela vida lá fora - e me faz querer sempre me juntar à ela.

E você, qual a sua música especial no momento?

3 de ago de 2010

Corpo e alma

As duas amigas conversavam. A primeira contava sobre um cara que tinha conhecido:

A: - É tão complicado...
B: - Você está apaixonada?
A: - Não. Juro que não me entendo...
B: - Por quê? Por que ele disse alguma coisa que mexeu muito com você, mesmo você não estando apaixonada?
A: - Como é que um cara que diz que não quer nada e perde 2 meses com alguém?
B: - Bom, você é uma mulher interessante e uma excelente companhia. Mas ele deve ter tido atitudes que não indicavam exatamente "só amigos", né?
A: - É, é bem isso mesmo.

Pausa.

A: - Deixa eu ser menos prolixa: um 'tá querendo o corpo do outro. É uma coisa física.
B: - Entendi.
A: - Mas o problema é que eu quero mais. Eu quero a alma!
B: - Entendi.

Pausa.

B: - Mas confesso que isso soaria satânico em outra situação.


Volubilidade para crianças


Eu até gosto desse video, mas acho um bocado surreal...

Educação Sentimental (parte I)

Atrás da porta

Ele tocou a campainha. O que esperava era um mistério, embora soubesse muito bem quem esperava que atendesse a porta. Zeca tinha ido buscar alguns livros lá há alguns meses e contou-lhe sobre o medo que tivera de ser tragado para dentro do apartamento dela, mas ele, Louis, resolveu arriscar. Digo, caso ela o chamasse para entrar e tomar um café.

(Mas é claro que chamaria).

Fazia muito tempo que não se viam e haviam se falado há uma semana, muito rapidamente pelo telefone - justamente para marcar o tal encontro. Ele dissera a si mesmo que precisava desabafar, mas no fundo talvez não fosse só isso. Não que Clara fosse lhe irresistível. Não era isso. De modo algum. Mas realmente precisava vê-la. Pronto, acabara de admitir para si mesmo. Não, nunca admitiria para ela. Precisava se proteger a todo custo de qualquer coisa que ameaçasse ir além da superfície que ele oferecia às mulheres que passavam pela sua vida. Um covarde? 

Clara teria respondido que não. Ela teria olhado pela janela, procurando as palavras em pardais no pessegueiro lá longe. Tão longe. Queria trazê-la para mais perto. Mas como? Ela podia ser concreta e, ao mesmo tempo, escorrer pelos dedos de quem quisesse tê-las nas mãos.

Ela demorava a atender a porta.

Louis tinha sua saudade, desabafada pelo voz abafada ao telefone. Queria ver seu rosto, seu olhos escuros e suas pupilas. Nunca conseguira distinguir a íris da pupila. Queria sentir o cheiro de sabonete, banho recém-tomado. Queria tocar-lhe os cabelos que lhe caíam como cascatas castanhas pelos ombros.

Ele estava ao pé da sua porta agora. Quem diria. E seu coração abarrotado de umas expectativas secretas, embora algumas palavras mais doces escorressem pela sua boca apertada. O coração apertado. Sentir aquilo era um misto de prazer e temor. Suas pernas somente haviam obedecido às ordens do seu instinto de vê-la o quanto antes. Haviam marchado de longe para encontrá-la e ouvir seu riso despudorado. Tão longe.

Ele sabia o quando aquilo ia parecer um lugar-comum ridículo à Clara, mas morria de vontade de dizer-lhe que ele nunca havia conhecido uma mulher como ela.

E esperava.

2 de ago de 2010

"Socorro!", gritaram as amígdalas

Fazia uma semana que minha garganta estava estranha. A princípio, achei que fossem ossos do ofício, mas a piora do fim de semana me convenceu do contrário. Hoje não aguentei e depois do trabalho resolvi ir ao médico:

- Dói quando eu falo, engulo, mastigo... e quando não faço nada também. - respondi ao Dr.Hideo quando me perguntou qual era o problema.

Ele olhou a garganta rapidamente. Sem dúvida não parecia o mesmo desde a última vez: lento, monossilábico e atrapalhado. Vai ver que era porque essa primeira consulta fora de manhã.... 

- Amigdalite - ele respondeu.

Sim, eu bem desconfiei!

- Você teve febre? - perguntou ele.

- Não - respondi desatenta.

- Nossa! Que coisa! febre é muito comum em casos de amigdalite - ele disse impressionado

- Ah! - disse sem grande fascínio.

Ele me receitou dois remédios, fez a receita. Antes de ir embora, perguntei-lhe:

- Qual é a causa da amigdalite?
- Ora, é uma infecção.

Fiquei olhando para ele, esperando um pouco mais. Na minha cabeça, tudo não se resume a infecção. E não é porque eu sou leiga que eu não quero saber o que está acontecendo exatamente comigo.