17 de ago de 2010

As sementes de girassol não aquecem meus dias

Ontem, ela me ouviu pacientemente. Na verdade, ela sempre me ouve pacientemente. Contei-lhe o que estava acontecendo, sem qualquer drama ou emoção. Tão sóbria que dava medo. Tão lúcida que me assustava. Era assim que eu me sentia - entre outras coisas, naturalmente, coisas que me fizeram querer conversar com ela.

Ela, sem drama ou emoção, me disse o que achava. E depois de um tempo, já não sabia o que dizer. Eu sorri o meu sorriso de "por onde ir agora?" e continuei. Na verdade, eu já sabia.

Na nossa diferença, nos respeitamos e isso é tão raro. Falamos sobre necessidades, sonhos e projetos. E eu ficava lembrando dos passarinhos que tinham passado a tarde comigo, quer dizer, eu do lado de dentro de casa e eles no canteiro, comendo pedacinhos de pão e sementes de girassol.

As coisas estão voltando ao lugar, embora eu esteja saindo da minha zona de conforto. É bom pisar em terra firme de novo. Sim, resolvi aportar. É uma necessidade neste momento: sair descalça em solo novo.

Engraçado como este ano não está saindo como planejado. Nem mesmo com o que parecia tão certo. E, de repente, isso não parece tão ruim. Às vezes, acho que antes que alguém te imponha ou ofereça uma mudança, é melhor que você faça e abrace a sua. Seja como for, eu continuo desconfiando, caso  haja verdades universais demais. E agora é hora de eu ver de que sou feita.

Está frio.

Um comentário:

Wellington Cruvinel disse...

Penso que a parte mais difícil é sair da zona de conforto. É como se eu falasse: tá bom isso, mas to com medo. Acho que não estou abraçando as mudanças, estou sendo atropelado por elas. Um abraço.