24 de ago de 2010

Diário: Goodbye to romance e outras coisas

Para os meus Amigos 
(incluindo o Felino)

Este mês de agosto não está me parecendo muito animador para os e(x)namorados: vários relacionamentos terminando - inclusive o meu. Casamentos que pareciam durar eternamente. Casais feitos um para o outro. Tudo deixou de existir. Bom, mas isso é aquilo o que se vê. Entre quatro paredes a história pode ser bem outra. Todo o fim pode ser uma faca de dois gumes. Seja como for, é sempre uma escolha.

Conversando com a Diva Ruiva, talvez eu tenha posto em cheque a minha idéia de amor romântico. Sinceramente, não sei, nem me preocupo em saber. Mas tudo parece mais complicado agora. Não, a palavra não é complexo, é complicado mesmo. O que me fez lembrar de uma vez em que eu conversava com o Historiador e lhe disse que achava que, em certos momento, era necessário pôr o sentimento no papel.

- Mas se você faz isso não quer dizer que já tem algo errado? - ele perguntou.

Sou obrigada a concordar, mas usar a razão é importante. Acho que ir só pela emoção e pelo impulso não funciona. É preciso equilíbrio. É preciso ponderar algumas coisas. Entretanto, talvez o fato de ponderar realmente indique que há algo errado. Talvez a mera cogitação de ponderação indique problemas. Mas dá para sentir sem pensar? Se há um problema, a idéia é tentar trabalhar o que está errado não? O que não é garantia de nada. O que não é impecilho para dar a cara a tapa. Adoro essa expressão... Dar a cara a tapa... O que não significa ser ingênuo e bater na mesma tecla para sempre - murro em ponta de faca uma hora sangra.

É preciso tocar outras notas. Outras canções. Outros instrumentos.

Mas eu não sei se amar é ir até o inferno por alguém. Digo isso em relação a parceiros. Não a filhos. Filhos já são outro departamento. Acho que por filhos vale a pena fazer tudo mesmo. Mas eu não sei até onde se pode ir por amor. E se for outra coisa que não amor? Ai que cansaço...  Respondo com um carinho, um bocejo e um afago:


Esse fim de semana vou ver vários amigos que não via há tempos. E mesmo que não os veja tanto gostaria (afinal, todo mundo trabalha e mora longe), eles me acompanham, são parte de quem sou. Estava pensando na Garota de Leeds (já de volta ao Brasil), uma das pessoas mais sagazes e inteligentes que conheço. Certa vez, ela me disse que na nossa sociedade há uma cobrança muito grande para que sejamos alegres o tempo todo. E acho que é bem por aí.

Mas eu não ligo para essa cobrança, posso estar alegre ou triste, a despeito do que os demais esperem - ou queiram. E aí eu pensei numa coisa:  O que você faz quando você não sabe lidar com algo? Há várias possibilidades e uma delas é, sem dúvida, a rejeição. Há gente que rejeita a tristeza por não saber lidar com ela. Há gente que não suporta ficar sozinho porque vai se deparar consigo mesmo e isso não parece ser boa coisa. 

Eu me dou o direito de estar feliz e de estar triste. E vou chorar quando precisar. Seja por tristeza ou raiva. O lance é que se, por um lado, não dá para viver  alegre com um sorriso de orelha a orelha o tempo todo, por outro, não dá para viver triste o tempo todo. Tristeza cansa. Foi como eu disse ao meu querido J.P., uma das melhores pessoas que conheço:

- Tenha o seu tempo de luto, mas não deixe que isso te cegue para a vida lá fora.

Volta  e meia me deparo com uma forte sensação de lucidez. Aquele lucidez dos que estão prestes a morrer. Por breves segundos, a vida é clara e simples. Ela tem gosto de Fanta laranja e cheiro de shampoo de erva-doce (eita coisa boa!).

Algumas pessoas dizem que sou muito dramática. Sim, tenho meus momentos de drama, mas sou sóbria a maior parte do tempo. Mesmo quando converso com antigas paixões do passado sobre as antigas paixões do passado. E, hoje, tento recuperar uma importante amizade de um passado recente.

Esta noite, estou dançando The way you look tonight num belo vestido longo. E isso é tudo o que me importa.

"Sei a verdade e sou feliz" (Fernando Pessoa)

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Na sala de aula, um menino simpático resmungava sobre a atividade que eu tinha passado. Eu olhei para ele com carinho:

- Você só faz o que gosta, J.?
- Faço - ele respondeu sorrindo sincero.
- Mas, durante a sua vida, você ainda terá que fazer muitas coisas que não gosta. Quanto mais cedo se acostumar com isso, melhor.

A classe ouviu em silêncio. E o que eu tinha acabado de dizer reverberava dentro de mim. Era Tia Ninota quem falava por mim. Aquilo servia para mim também: nem sempre as coisas são como a gente quer, mas se fizermos a nosso melhor ou simplesmente formos humildes, o fardo é mais leve. Há o momento para a revolta. E há o momento para a aceitação. 

Um comentário:

Holmes disse...

Há tanto o que dizer sobre isso que talvez seja melhor não dizer nada. Em todo caso te mandei um e-mail.

Beijos,
S. H.