28 de fev de 2011

C.R.A.Z.Y

Resolvi topar s sugestão de Charlie e assistimos C.R.A.Z.Y (2005), filme canadense recheado de rock progressivo e glam da década de 70. Quem curte Pink Floyd e David Bowie tem um motivo a mais para assistir.

O filme retrata e vida do canadense Zac, da infância à idade adulta, uns vinte e poucos anos, passando pelas décadas de 60, 70 e 80. Da fé cultivada pela mãe à total descrença em Deus. Do preferido de seu pai até a vergonha da família. Do menininho obediente a um homem em busca de sua própria identidade e seu próprio caminho.

C.R.A.Z.Y. é um drama sobre os laços de família, sobre amor e fé, sobre preconceitos, sobre escolhas e, creio que acima de tudo, sobre buscar o seu lugar o mundo, busca essa que se torna mais complicada quando parecemos não nos enquadrar de modo algum, saindo dos padrões rígidos e pré-concebidos de nossa sociedade.

Uma das coisas que mais me agradou no filme foi o modo como a família é retratada: muito unida, o que não quer dizer que não brigue, discuta, surte. São cinco irmãos, todos muito diferentes e o foco recai sobre Zac, que sempre foi o deslocado da família, não por isso menos amado. Quando pequeno, a mãe atribuiu a ele incríveis poderes de cura, agora, adolescente, ele é obrigado a encarar terríveis medos e a desconfiança de seu pai, que não aceita o caminho que a vida de Zac vai tomando com o passar do tempo. De repente, Zac é seu pior inimigo e só a fé em Deus poderia salvá-lo daquilo o que tanto teme. Mas precisaria mesmo ser salvo? Seria tudo tão errado mesmo?

Não importa o que aconteça, no fim do dia, quando é preciso, todos voltam à casa. Comovente e não piegas. Sem lágrimas copiosas, só aquele sentimento de fortaleza proporcionado por quem ama e tenta entender o outro, esse outro que desafia, que é diferente, que nos foge, que nem sempre corresponde ao que esperamos. E que, por isso, não é menos amado. E a distância e a perda podem ser um bálsamo na dor que pode ser não entender e não aceitar o outro.

Um bela história e um belo filme, sem dúvida. Tocante e sensível. Vale a pena conferir.

Ouvindo Shine on you crazy dimond (Pink Floyd)

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