22 de fev de 2011

O que é ser feminista?

É essa a pergunta que tem me martelado nos últimos dias. Me disseram:

- Você é tão feminista!

E aquilo me soou entre o jocoso e o ofensivo - possivelmente uma mistura dos dois. Por isso a minha curiosidade. O que é ser feminista? Se não passar de um machismo às avessas, estou fora.

Acredito que, de modo geral, direitos e deveres são os mesmos para homens e mulheres, embora tenham as suas muitas diferenças. Assim, as cobranças deveriam ser as mesmas. Por isso, se ser feminista é achar que TPM é desculpa para botar fogo em tudo, bom, então não sou feminista. Os hormônios que me desculpem, mas auto-controle é fundamental.

Ser feminista é ter relacionamentos vazios e vida sexual variada e simultânea? Bom, cada um na sua.

Agora, se ser feminista é se revoltar e esbravejar sozinha ao ouvir a seguinte notícia na Rádio Bandeirantes, então sou feminista: uma escrivã, acusada de (se não me engano) desvio de dinheiro, foi obrigada a ficar nua numa delegacia em Parelheiros, na periferia da zona sul de São Paulo. Segundo os policiais, todos homens, a escrivã precisava ser "revistada". Os policiais envolvidos gravaram tudo - com o intuito de? Detalhe que isso já tem dois anos e só agora veio à tona. Nesse meio tempo, a escrivã continua respondendo o processo pelo crime cometido.

Em trechos transmitidos pela rádio, dá para perceber a revolta da escrivã diante da situação. Mas nem sempre elas se revoltam. Conheço mulheres que se submetem a todo o tipo de coisas pelos seus namorados/ parceiros. São vítimas? Não creio, não esses casos, pelo menos, pois são livres para partir quando quisere. Claro que nem sempre é assim e há casos realmente graves de violência, da qual a mulher simplesmente não consegue escapar. Mas dos casos que conheço, observo o livre-arbítrio em ação: as mulheres das quais falo escolhem ficar, não importando o que aconteça, mesmo que não dividam seu cérebro ou seu rim com dita alma-gêmea. É tudo uma questão do que se está disposto a abrir mão e de condicionar sua existência, felicidade e paz de espírito (???) ao outro.

Ser feminista é ser independente? Quando me dizem que sou independente, me sinto quase criminosa, como se a opção mais válida e lógica fosse esperar por um príncipe encantado numa Harley, digo, num cavalo branco. Acredito que a vida é muito, mas muito mais do que isso. Estar com alguém é só uma das coisas que fazem parte da nossa vida. E não algo que ocupa a vida inteira.

O que não quer dizer não valorizar/ cuidar o parceiro/ caso/ flerte que se tenha. Só significa que ele não terá que bancá-la financeira e emocionalmente, o que, a princípio, me parece ótimo para todas as partes envolvidas. Ser independente é saber equilibrar carreira, família, amigos, lazer e - se tiver - romance.

E se não tiver um romance/ caso? Você se auto-flagela e descabela? Não, você toca a sua vida, como sempre tocou, por saber dar a cada coisa (e pessoa) o seu devido valor. Nem mais, nem menos. Há muita gente que torce o nariz quando fica sabendo de uma mulher que está bem sem ninguém. Não, a opção pode  ter sido dela e não dos outros.

Acho que ser feminista não é colocar as mulheres acima de qualquer suspeita, mas ter auto-conhecimento, saber de suas capacidades, falhas e pontos fortes, construindo, com isso, uma vida completa e feliz. E, claro, bater o pé e fazer barulho quando algo causa revolta.

Eu acredito mesmo que se homens e mulheres usassem o que têm de melhor em prol de um bem comum (teamwork) em quaisquer relacionamentos - e não falo só do campo sentimental - teríamos parecerias de grance valor. Enquanto isso não acontece, quero a Harley para mim! Vai ver que a famigerada e já sem cor guerra dos sexos que tanto alimenta o imaginário popular é mais divertida.

Depois de alguma insistência de terceiros, fui obrigada a perguntar:

- Feminista por quê?

E a resposta:

- Porque você não é tonta.

Seja como for, parece promissor...

Ouvindo Running up that hill (Placebo)

Um comentário:

Anônimo disse...

Acho que essas rotulações ganharam pesos inadequados ao longo dos tempos: machismo é negativo, feminismo soa positivo, como uma reação à opressão. Para mim uma sociedade justa e madura precisa primeiro derrubar esses rótulos, pois a partir do momento que catalogamos os outros, criamos distâncias. Não falo somente daqui, mas da humanidade.

Gabrl (com saudade de ter mais tempo pra respirar e ler este blog que adoro)