10 de fev de 2011

A Morcega: Sobriedade

Ele chegou com uma caixinha com fitilho dourado. O vinho sobre a mesa e o brilho de taças e velas em seus olhos escuros.

- Toma, pra você - entregou tocando-lhe levemente a mão.

A Morcega sorriu, desconfiava. Nada tinha de boba. Abriu a caixinha. Surpreendeu-se com o coração ainda fresco, ensanguentado. Belas veias e vasos. Cheiro de sangue fresco, coisa viva. Era Vida.

- Para mim?

- Sim sim sim.

- Mas olha, acho que você vai precisar dele!

- Não, agora está em suas mãos!

- Então o que vai bater no seu peito?

A Morcega refletiu: nunca faria tamanha tolice. Precisava de seu coração em seu peito - e não em escorregadias mãos alheias. Era fresco, coisa viva. Era Vida. Era a vida - dele.

Ouvindo Nada por mim (Paula Toller)

Um comentário:

Anônimo disse...

A Morcega não entendeu nada. Pior para ele.

Gbrl