6 de jun de 2012

Intervalo

Porque eu me peguei falando de você. De novo. Venho falando de você. Muito. Mas agora tudo me parece muito diferente. Engraçado como as coisas vão mudando as time goes by.

Não sei se fui eu que mudei ou se me forcei a mudar. Porque eu tenho dessas, sabe? Porque eu acho que o esquecimento é para os fracos, para aqueles que não conseguem lidar com as lembranças. Então sou forte porque lembro de tudo? Ou por que pus panos quentes para deixar tudo morno? E é com mornidão que te olho agora. 

Sem mais fantasias, sem os sonhos, sem os dramas. Sem aquela coisa que você bem sabe. Sabe? Sabe...

Um mornidão cheia de um carinho vazio. Inútil. Sem propósito. Um carinho feliz de existir em si mesmo. Mas outras coisas não se bastam. E por que procurar em você aquilo que você não pode oferecer? Não é justo, nem para você, nem para mim. Muito menos para mim.

E eu, que sou dada a rascunhos e ensaios, já ensaiei tudo o que precisava quanto a você - e ao nós que nunca existiu. E, com minha costumeitra delicadeza, desato o último nó. Saio enquanto as luzes estão apagadas - e você dormindo. Sorrio com aceitação:

- Fazer o quê?

2 comentários:

Nara disse...

Por vezes eu queria essa coisa morna pra mim, parece até um sossego, um não sentir. Mas não é, né?

renatocinema disse...

Eu tenho um professor na faculdade, Rafael Lopez, que diz o seguinte: " Prefiro o calor, enlouquecedor e insano; ou o frio, dramático e triste. Pois jamais......jamais me contento com nada morno. Morno é pior que o nada."

Acho que concordo com ele. Acho meio morno.