16 de jun de 2012

Líquido

Não ouviu o conselho, nunca ouvia. Resolveu navegar por mares nunca antes navegados. Queria prender a tempestade em seus braços. Foi. Naufragou, como sabiam que naufragaria. Causa e consequencia. Ilhado e solitário. Quis ainda segurar e reter em suas mãos aquilo que não podia ser preso: o último gole de água doce. Aquela água que mataria sua sede de deserto. Sua secura de areia. Sua ausência de saliva. Sua ausência de palavra.

Insistiu. E viu o último gole de água doce escorrer pelos dedos apertados. Pegou o lenço sujo apressadamente. Enxugou as mãos.

Morreu chupando o lenço, tentando dele tirar algumas gotas de água. Tentando reter em seus lábios e boca aquilo que havia sempre fugido ao seu alcance.


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