23 de nov de 2012

Mais do mesmo ou Fake plastic trees

Juro que não foi por despeito. Nem raiva. Nem nada. É o de sempre: a simples constatação de um fato. Um não, vários. Uma objetividade que me assombra. Poderia até fazer uma listinha, mas o caso não vale uma listinha. Não vale o vestido vermelho. Não vale a noite em claro. Vale, no máximo, um singelo post aqui, mas como escrevo sobre praticamente tudo, o post não é grande coisa. 

Talvez tenha sido por preguiça, preguiça ao perceber que certas coisas serão sempre as mesmas. Não importa que você mude ou que o momento seja outro: alguns acontecimentos voltam espiralares e você, ao se deparar com eles, diz confiante:

- Mas vai ser diferente.

Só que não é. Os fatos acontecem do mesmo modo, o fim é tão sem sal quanto tinha sido antes. E aí? Para a sua sorte, você mudou e esperava pouco, mas tão pouco que não incomoda muito, sabe? É mais aquela sensação de:

- Não dá para arriscar outras teclas e tentar outra música?

O disco está riscado: a vitrola empacou. Melhor trocar o disco - ou a vitrola. Nem diria sensação de perda de tempo: a gente sempre aproveita alguma coisa. Talvez seja cansaço, só isso. E se me atrevo a especular é porque não me deram mais informação para racionalizar. E a pergunta: 

- Mas eu quero?!

A saída é o meu "tanto faz". Talvez ele guarde uma certa tristeza, não sei, afinal, baixar as expectativas tanto assim pode até ser insalubre. E é aí que percebo como as pessoas podem ser pequenas e se preocuparem com coisas tão pequenas que...

Para mim, o "tanto faz" é sempre um alívio: uma xícara de chá no fim do dia, uma massagem nas costas, os pés descalços depois de um dia de sapatos apertados. O "tanto faz" é o suspiro de quando você fez o que dava e mesmo assim foi sem sal, sem graça, sem nada. Vai fazer o quê?

As pessoas costumam dizer que insistir no erro é burrice:

- E se você só percebeu que era um erro depois?

A vida nos oferece várias chances e corro atrás de todas que puder. Naturalmente, nem sempre dá certo. E nem sempre os acontecimentos dependem exclusivamente de nós. E aí? 

O que salva é que embora os acontecimentos possam ser os mesmos, o modo como você os encara pode mudar radicalmente e é isso o que acaba definindo o rumo que você vai dando a sua vida. Isso não impede que eu acabe ouvindo sempre mais do mesmo. É hora de trocar o disco. Faço aquela minha cara de:

- Pois é.

Como de quem não tem mais o que fazer, como quem percebe o óbvio ululante:

- Você não colhe maçãs vermelhas em pinheiros natalinos de plástico.


3 comentários:

Vi disse...

Bem-vinda ao meu mundo!
Realmente, por mais que soframos surtos constantes de uma premente esperança, as coisas (e as pessoas) não mudam (ou será que não percebemos). Mas, como você bem frisou, nossa percepção sobre tanta mímese muda e evoluí, aprende a abstrair a colher frutas seletas. Ainda bem!
Acabei de sair de uma dança com essas duas canções aí e, apesar de ser uma desgraça, é uma benção.

Beijo!

Vi
www.bardodataverna.blogspot.com
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renatocinema disse...

Que lindo.......amei.

Parece muito com o que conversamos, porém, de forma poética e reflexiva. Nosso papo foi no estilo de boteco....local onde descobrimos que a música da vítrola precisa ser alterada.

Cayo Candido disse...

Mas maçãs de vidro tem sumo quando se vive a fantasia!