30 de nov de 2012

Mornidão ou Meios termos

Não sei se ele foi embora porque eu quis ou porque ele quis. Não sei quem quis o quê. Não entendo o que ele quis - ou quer? Nem quero. Não sei se alguém fugiu. Eu ou você? Não sei se foi por deixar a porta aberta, mas 'cê sabe que eu não sou de trancá-la. Não gosto das coisas assim. Não, você não sabe.

- Você não sabe de nada.

Digo isso com uma arrogância ensaiada, trago para você o meu pior porque o melhor não te serve, não te convence, não combina. Deixa ser então.

Também não gosto da mornidão. Morno só o leite quente pra me fazer dormir quando o sono não vem. O resto não. Pés descalços ou cachecol - sem meios termos. Nem juntando todos os meios termos eu poderia conseguir um inteiro - fosse do que fosse.

Você que eu soube nomear depois de algum tempo... Ah. Deve ter fugido sem olhar para trás. Bom, eu também não olhei para trás - minha marcha implacável rumo ao futuro - e não sei se hesitou, se saiu cabisbaixo, se saiu correndo, feliz.

Tenho pena das coisas eternamente em estufa. Ambiente controlado. As flores que nunca brotam. Os filhotes que nascem mortos. Tudo aquilo que não vinga, aquilo que perde o momento. Basta um piscar de olhos, uma mudança na direção do vento e o nosso olhar fica um tanto sem graça, juntando com delicadeza e embaraço os pedacinhos que papel rasgado da história que não aconteceu.

Paga-se um preço pela constância, mas preço maior paga quem aceita viver pela metade.




Nenhum comentário: