2 de nov de 2012

Memória, essa marota zombeteira.

Você se lembra de coisas que nem faço-fazia ideia. De algumas lembro vagamente - foto em sépia com cheiro de guardado. De outras você fala e não me vem um clique:

- Bom, deve ser verdade...

E eu me gabando de ter memória de elefante... Há [muitas] coisas que lembro e não comento. Talvez seja meu jeito de atender ao pedido de deixar algumas coisas no ar. Algumas ficam, que fiquem! Contudo, gosto da comunicação clara, precisa, certeira. Caso não seja necessária, guardo-a na minha já pesada bolsa .

E me pego pensando em memória seletiva: o que nos leva a lembrar de umas coisas e apagar outras? Não faço ideia, porque primeiro achei que era a sua relevância e importância, mas lembramos de tantas coisas que nada têm de relevantes ou importantes. Então...? Teriam sido importantes em algum lugar do tempo? Não. Então...?

Será que é pelo mesmo motivo que guardamos coisas que não usamos? E por que fazemos isso? Um dia podemos precisar delas. Não, não preciso mais delas, do mesmo modo que não precisamos de coisas que lembramos. Preciso lembrar de desligar o fogão, de quem não merece minha confiança, de pagar as contas, das aulas de dança. E só. O resto é perfumaria.

E sei que se juntássemos a sua memória de nossas conversas com a minha, ainda assim, não teríamos aquelas conversas: éramos outros e, como você mesmo disse, acabamos floreando muitas coisas simples em nossas lembranças- o que não significa que não tenham sido realmente encantadoras.



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