28 de set de 2010

Sob um céu de agosto

Ela tinha ido até lá para o noivado de uma amiga. Uma uma cidade a beira mar. Já tinha sonhado com aquele lugar muitas vezes. Na verdade, poderia estar sonhando agora mesmo.

Depois de ter que ouvir um flerte inconveniente e ter ficado desconcertada, ela saiu da festa para dar uma volta. Estava deprimida demais para beber. Foi sozinha até a feirinha que reunia tudo o que se podia imaginar: desde antiguidades até rolinhos primavera. Encontrava dua vida exposta em cada barraquinha e o eco dentro de cada espaço dentro de si.

O trânsito estava calmo. Ela andava no meio da rua, sem direção. Procura que procura. Procurava o quê? Só procurava. O céu estava escuro, nuvens gordas e cor de chumbo:

- Vai chover!

Uma tempestade de aproximava rapidamente. E ela sem nenhuma vontade de sair de lá. Queria que a tempestade desabasse sobre si. Ela conhecia aquele vento fresco, aquela luz branca que ia morrendo, aquela sensação de apocalipse que se apoderava dela e do resto do mundo.

Pensou naquelas virgens medievais: sacrificadas para acalmar dragões. E, embora não fosse nem virgem nem medieval, resvolveu que um sacrifício se fazia necessário.Havia dragões a serem acalmados.

Deixou para trás a bolsa, os sapatos. O perfume dos longos cabelos se dissolveu no vento - cada vez mais forte.

Caminhava em direção ao mar.


Ouvindo Eu te amo (Chico Buarque)

Um comentário:

Stephanie Marques disse...

Eu já tive essa exata sensação do sacrifício a ser feito ao mar .-. Tanto que, da última vez em que estive em Santos, fui até a beira d'água e deixei que me lavasse os pés e pedi que levasse tudo de ruim que estava na minha vida. Quase chorei na hora.