22 de jun de 2010

Funk como no me gusta

Estava quase chegando ao meu destino e fui surpreendida por um ritmo desagradável. Demorei para identificar o que era, mas tudo ficava mais compreensível conforme ia me aproximando do lugar.

Havia um gol, desses antigos, cinza-sujo, tocando funk muito alto. Mas muito alto mesmo.

Entrei e antes que me sentasse, a recepcionista, sempre simpática, me pediu com um sorriso suplicante:

- Você não quer ir lá e pedir para ele abaixar esse som?

Eu sorri e perguntei se estava assim há muito tempo.

- Sim, o cara está aí faz uns vinte minutos.

Num raio de quinhentos metros, escolas, restaurantes e um centro médico. E eu pensando: quem ele pensa que é? Na verdade, eram dois homens: um dentro do carro, o motorista e o outro um cara grande e forte, desses que metem medo. Era óbvio que ninguém se meteria com um cara daqueles. E mesmo que ele não fosse, grande, forte e tivesse cara de mau (isso soa tão infantil!), poderia ser um rapaz franzino com um revolver qualquer no porta-luvas. Sim, atualmente mata-se por muito pouco - ou quase nada.

O gigante ficava rodeando o carro: parecia estar esperando alguém. Percebia-se facilmente que estava muito orgulhoso de seus potentes alto-falantes. Era quase como se o som marcasse o seu território, sua área de alcance:

"Sim, tenho poder sobre tudo isso aqui"

Em dez minutos, comecei a ficar com dor de cabeça e fiquei sentida pelas duas recepcionistas que não deviam estar mais aguentando tudo aquilo. Felizmente eu estava certa: os dois homens esperavam alguém. Às 13h30, o gigante acena para uma mulher do outro lado da avenida. Ela sorri e atravessa a rua - e eu torcendo para que fosse ela aquela que esperavam.

Sim, era ela.

Os dois entraram no carro e foram embora, deixando para trás uma legião de insatisfeitos e pessoas que são obrigadas a tolerar a falta de cidadania alheia, pois muita gente não conhece ou não dá a mínima para "a minha liberdade acaba onde começa a do outro".

Sim, isso é viver em sociedade.

2 comentários:

Sirius disse...

Eu não sou violento, mas eu juro que tenho vontade de causar politraumatismo craniano com um taco de beisebol em quem interfere na relativa paz das pessoas ao redor com esse lixo musical... dá vontade de pegar silver tape e colar o aparelho de som nos ouvidos do sujeito... quer ouvir alto? então ouve bem colado até as ondas sonoras dissolverem o que resta do seu cérebro. Ok, meio agressivo... mas é um lance meio "bigornas da ACME caindo na cabeça".

Sirius disse...

Aliás, eu chamaria de "Funk que NO me gusta" :P