14 de mar de 2011

Réquiem para um sonho: causa e efeito

Réquiem: espécie de prece ou missa composta para um funeral.

Eu estava enrolando para ver o filme, porque sabia que seria perturbador. Entrei na fase dos dramas. Se por um lado, minha vida deixou de ser um drama,  por outro, tenho aberto mais a minha cabeça e abraçado os filmes de gênero drama com algum carinho. Claro que estou falando de tipos de drama bem diferentes: o drama pequeno da vida privada e o drama social de um filme como Réquiem para um sonho (2000).

Nos extras, um dos atores definiu o filme como uma "viagem ao inferno" e acho que é isso mesmo.

Uma coisa que achei muito interessante é que Réquiem não peca pelos excessos: poderia ser um filme moralista, condenando o uso de drogas, ou poderia ser uma apologia ao seu uso. Longe disso, ele se compromete a mostrar uma relação de causa e efeito, que também poderia ser definido por:

Para toda ação, há uma reação.

E isso vale para todas as atitudes que as personagens tomam, destrutivas ou não, conscientes ou não.  É mostrado como as pessoas se sentem bem com o uso da heroína. Mas também mostra o que vem depois e até onde se é capaz de ir por mais uma dose, o preço que as pessoas se dispõe a pagar. Não estou falando de dinheiro, naturalmente. De repente, não há quaisquer referências e tudo é válido, permitido, para que se alcance objetivos não alcançáveis.

Réquiem é um filme sobre pessoas que se perdem umas das outras  e de si mesmas e sobre amor que se esfacela, esfarela, não resiste, por não poder coexistir com uma vontade maior de satisfazer um vazio que não pode ser preenchido. Alguém me disse certa vez que todo ser humano tem um vazio que não pode ser preenchido e acredito nisso, mas também acho que é isso o que nos motiva a seguir em frente e correr atrás dos nossos sonhos. Harry, Tyrone, Marion e Sara tinham os seus sonhos e correram atrás deles, mas a que preço? De que ferramentas de utilizaram? Mais uma vez, é o "como" e não o "o quê". É o processo e não o resultado.

É um filme forte e intenso sobre caminhos sem volta que vale muitíssimo a pena ser visto. Vale também pela belíssima  trilha sonora de Clint Mansell.


Réquiem é de Darren Aronofsky, o mesmo de Cisne negro (2010), por aí, dá para sentir o drama, não? Mas gostei mais de Réquiem, me soou muito mais... honesto. Mas as ilusões, a perturbação e as obsessões permanecem, embora em diferente ambiente, escala e difusão.


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