9 de jan de 2011

Arrebatamento

Um dois três um dois três. Solta esse quadril. Por uma hora e meia eu me desliguei de tudo e de todos. Nada mais importava. Saí de lá leve, levinha. Rodopiando. Nem sabia que dia da semana era, nem das horas. Aquilo realmente tinha mexido comigo. Como se num lampejo eu tivesse encontrado a respostas para todos os meus problemas. Sim, eu sabia que não era, mas sou uma pessoa romântica, então minha primeira sensação (e desejo) foi esse.

Tudo se tornou mais claro. E a confusão foi embora, como se rodopiando nos braços de um estranho ao som de uma música desconhecida eu tivesse entendido finalmente tudo o que precisava. E o conflito entre querer vs. precisar se desfez, porque assim eu tinha escolhido. Chovia quando saí de lá e nem me importei. A chuva não me incomodava mais. O meu querer mais uma vez se dobrava ao meu precisar. E isso me fez feliz.

De repente, não mais do que de repente, decidi a minha vida. Deixar certas coisas para trás podia ser tão difícil, mas eram novas perspectivas, outros sabores, possibilidades antes desconhecidas. Guardei a melancolia numa pequena caixa, que espero perder até a velhice. Por ora, novas traquinagens a caminho.

Encontrei alguns bilhetes meus. Arteiros que só. Arteiros como meu olhar agora. Para quem enterrou um grande amor, tudo é possível. Tudo fica mais fácil, creio. Um pedaço sempre vai faltar, o que não me impede de seguir com toda a graça que me for possível, com toda a intensidade a que me resumo, com toda a paixão pela vida que concentro em meu corpo morno e moreno.

Molhei meus pés na chuva, depois de rodopiar nos braços de um estranho. Fazia tempo que não me sentia tão viva.

Ouvindo Carinhoso (Pixinguinha)

Um comentário:

MN disse...

é assim mesmo...