16 de jan de 2011

Pequenos prazeres

Às vezes eu acho que nos fechamos demais. A blusa até o último botão. O sentimento até o sufocamento. O cansaço até a exaustão. Nos podamos sem nos darmos conta. E um dia morremos sem termos vivido como deveríamos. Não celebro o hedonismo e acho que o carpe diem virou desculpa para fazer as coisas de modo inconsequente com a justificativa de viver até a última gota.

Acho que temos mesmo que viver até a última gota, mas com equilíbrio - essa é a chave da vida, não? Aproveitar o dia de hoje como se fosse o último quer dizer sempre aproveitar todas as chances que a vida nos dá. E como as pessoas desperdiçam as tais chances! E pensando sobre elas, comecei a pensar nos pequenos prazeres da vida e no significado de liberdade.

Liberdade é usar shorts curtinho sem ninguém buzinar no seu ouvido - e tentar te convencer que as calças compridas são para o seu bem. Liberdade é comer o seu sorvete sem se preocupar com peso, açúcar blá blá blá. É não ter que dar satisfações ou justificativas sobre o que você sente. É perder as chaves de propósito.

Eu voltava para casa quando começou a chover. Saímos da lanchonete, me despedi de duas amigas e fui para o ponto de ônibus.  A princípio, como de costume, me escondi debaixo da cobertura do ponto de ônibus. Liberdade foi o que eu senti quando não abri a bolsa: deixei o guarda-chuva lá. 

Desci do ônibus com um sorriso no rosto e as gotas caíam como uma benção. Era um daqueles momentos perfeitos, sabe? Sensação intensa de se estar viva, sentindo a água cair delicadamente num dia quente. E eu andando lá, sem me preocupar com nada, só caminhando na chuva. E percebi que minha existência tem sido recheada de dias perfeitos e me senti incrivelmente grata por isso.

Aquela caminhada na chuva até a estação de trem foi como uma declaração de liberdade. Além disso, redescobri nela, um dos pequenos prazeres da vida, aqueles que dependem do seu olhar perante o mundo - e não do quanto carrega na carteira. São aquelas coisas simples que fazem o seu dia mais brilhante. E é isso o que vale: os pequenos prazeres da vida. Mais vale a companhia [boa] do que o lugar. Posso tomar café no mesmo lugar na mesma semana com cinco amigos diferentes. Porque o que me importa é a companhia. Sim, isso aconteceu.

Não importa a caixa de Ferrero Rocher dada com toda a pompa. Na maioria das vezes, uma singela trufa recheada vale muito mais. Ou simplesmente três balas de coco. Tudo depende de quem degusta o dia.

3 comentários:

fabioyn disse...

Certos dias nossa clareza de consciência nos presenteia com essa vivência do que é ser, estar bem, em sintonia e harmonia com o que nos cerca. Ou seja, momento de felicidade plena, sem truques, sem mágicas, apenas sentindo.

Alline disse...

Post ensolarado é assim: inspira a gente e sair e viver, em vez de ficar fingindo sorrisos.

Frau, adoro banhos de chuva não premeditados!

Beijo grande, e bom dia pra ti =DDD

MN disse...

essa da chuva...jah fiz e senti tantas vezes :D adoro!