23 de jan de 2011

Diário: Do Riso

Passei a manhã de sábado com o Sr. A. Era muito bom vê-lo de novo, conversar, rir - principalmente rir da sua risada. Tomávamos um café. Ele falou de casamento. Desconversei - e ele sabia bem o porquê. Resmunguei qualquer coisa, contei alguns causos. Contei com naturalidade, sem dramas, sem grandes arrebatamentos. Achei que ele fosse rir comigo, mas não riu. Por fim, declarei:

- Não gosto muito de generalizar, mas boa parte dos homens da minha geração está perdida: não sabe o que quer, tanto no campo profissional quanto no sentimental. Gente sem foco. Não que isso seja o fim do mundo, mas, o que você pode esperar de alguém que não tem a mínima idéia do que quer? Ficam no eterno ensaio e não levam nada adiante, não querem estrear.

Ao terminar, sorri simpática, mas o Sr. A. não riu nem sorriu. Ele me olhou muito sério. Talvez não fosse engraçado, por isso ele não riu - o Sr. A. é bem mais velho do que eu. Talvez o riso seja uma maneira de encarar certas coisas com mais leveza. Dramas e afins são muito desgastante e não combinam com esse sol maravilhoso lá fora. Não mesmo. O riso faz com que tudo pareça menor, menos importante, digno de pouca preocupação. Talvez o riso nasça da impossibilidade de levar à sério certas coisas. E pessoas. Ou talvez porque o (papel de) ridículo tenha se tornado mais frequente.

2 comentários:

Anônimo disse...

Da sua geração não se formaram homens ainda. Muito cedo. A cabeça masculina de cima espera a de baixo se definir antes de desenvolver por completo. Por isso muitas mulheres preferem homens de gerações periféricas às suas.

Do vulcano ilógico.

Rafael disse...

Já vi homens e mulheres desferindo o mesmo tipo de crítica para o sexo oposto.

Imagino que o problema não esteja nos homens e nem nas mulheres, mas tão somente em nossas próprias vivências pessoais e/ou/sobretudo amorosas

Vulcano Ilógico, o que você diz é uma tolice e não pode ser levada a sério.