14 de jan de 2011

Sem fantasia

Recebi muitos conselhos ano passado e um dos bons foi: Não fantasie demais. Não vou levantar aqui o contexto no qual ele me foi dado, mas posso dizer que se aplica a todos os campos da  vida. E é de fato muito efetivo.

É dolorido ouvir isso, afinal, a tal fantasia pode ser encarada como as expectattivas que temos. Não qualquer expectativa, mas as grande expectativas, das quais muitas vezes não conseguimos fugir (e queremos?). Mas de uns anos para cá, depois de muita coisa, tenho encarado isso tudo de um modo bem diferente. Afinal, é preciso aprender alguma coisa cedo ou tarde, não?

Está ficando mais fácil não esperar grande coisa dos outros, ou então, esperar aquilo o que é da natureza alheia. Se a natureza de alguém é fraquejar na primeira dificuldade, não posso esperar que seja diferente. Se alguém tende a fugir diante do inusitado, não posso espearar algo distinto. E esse movimento de "perda de expectativa" não é uma coisa restrita a minha vida: conheço muita gente que aderiu, por assim dizer, a esse novo modo de vida. Posso até tentar fazer a diferença na vida de alguém, mas...

Já ouvi que espero demais dos outros. Na verdade, espero um mínimo e  se esse mínimo não vem, bom, aí não tem ser humano que se contente. E sempre vou esperar um mínimo e não sei se faço isso por tal coisa ser uma coisa minha ou se me comporto assim por ser simplesmente humana. E, sendo humana, aprendi a respeitar os meus limites e aprendi a me respeitar também.

Assim, se, mais uma vez, as pessoas me deixam sem saber o que pensar, onde estou pisando ou o que fiz de errado, não me importo mais. O négocio é tocar o barco - que mais poderia fazer? Não posso esperar dos outros aquilo que sou/faço/sinto, posso? A resposta é não. E muitas vezes nós realmente não somos o problema. Ou então, quem disse que há um problema?

Mesmo porque, é difícil esperar algo de alguém que não quer se dar. O que esperar de alguém assim? Ou de alguém que simplesmente nem aceita nem recusa um convite inocente? Por que eu me decepcionaria com isso? Ou por que eu me decepcionaria por não se importarem sobre o porquê de certas decisõse minhas? Não era importante. Aliás, ando revendo meus conceitos sobre imporância.

2 comentários:

Gabriel H Pantoja disse...

Me identifiquei um pouco com o terceiro parágrafo, infelizmente. Se bem que não esperar nada além do natural de uma pessoa é dar a ela uma chance de impressionar com menos esforço. O problema é doutrinar a alma para tolerar isso, tal como um dono de Ferrari ter que maneirar por conta de um Uno que o acompanha.

fabioyn disse...

Sempre espero alguma reciprocidade. Infelizmente tenho recebido negativas, fugas, ilusões que navegam dias nessas nuvens de devaneio que crio em meu EU.

Talvez haja culpa e ela seja só nossa. Ou somente estamos trocando os valores. O humano em mutação, nestes tempos de pós-modernismo, lugar onde impera o caos.

Mas acredito nos românticos, alguns ainda "flanam" em meio à multidão.