7 de jan de 2011

Sobre bolos de cenoura [antes] deliciosos

Eu estava voltando do trabalho e parei em frente a confeitaria. De novo. Sim, seria a segunda vez no mesmo mês. Eu nem era tão chegada em doces, mas aquele bolo de cenoura... Ah! Quem já tinha provado dele queria mais! E eu queria mais, sim senhor!

Flertei com ele na vitrine. Sim, adoro flertar e adoro a palavra em si também. Mas pensei, poxa, é um preço tão salgado para um bolo tão doce... Bom, eu me daria a esse luxo, vai que amanhã eles deixam de fazer o bolo. Eu olhei para ele, ele olhou para mim. Bum! Química... Okay, química não é tudo, mas bastou naquele momento.

Convidativo que estava, entrei, escolhi uma mesinha perto da janela e fiz meu pedido. Mal podia esperar para sentir de novo aquele maravilhoso bolo de cenoura se desmanchando na minha boca. Macio e doce. A cobertura de chocolate meio amargo que contrastava com o sabor suave da massa. O garçom simpático trouxe meu pedaço de bolo. Agradeci simpática e esperei que ele saísse para que eu pudesse pegar meu primeiro pedaço de bolo.

Delicadamente, cortei um pedaço com o garfo...

... mas era só fachada. Só aparência. Esfarelou à primeira mordida, seco que estava. Seco e sem sabor. As coisas não podem não ter sabor, eu acreditava. Devia ter gosto de alguma coisa. Gosto do quê? Não sei, afinal ausência de sabor não pode ser considerado um sabor. Sonso.

Seco e sonso. Era aquilo? Era aquele o bolo que tinha alimentado minha imaginação durante o mês? Era sim. Será que ele já era assim e eu era outra, alguém que acharia um bolo como aquele maravilhoso? Ou fui eu quem mudou nesse meio tempo e agora não o reconhecia mais? 

Fiquei olhando para o pedaço de bolo mordido sobre a mesa. Não, não quero mais, poderia ter dito manhosamente, como uma faz uma criança que recusa alguma coisa. Mas não disse nada. Só fiquei olhando tentando entender. Todavia, tinha mais o que fazer. Deixei o bolo solitário sobre a mesa, paguei e saí. Acho que não era nada do que eu tinha pensado. Ou talvez ele sempre tivesse sido assim e só eu não tivesse percebido. Fosse como fosse, havia ainda outros bolos de cenoura me esperando por aí.

2 comentários:

Anônimo disse...

Você alimentou durante um mês a sua expectativa. Quando a expectativa é grande, a realidade nem sempre a supre, por melhor que seja. Em publicidade discute-se muito isso, mas vale para tudo, sejam produtos, lugares, paixões ou mesmo cobertura de chocolate.

Tatiana Machado disse...

Seja como for, o primeiro bolo foi inesquecível. Nada se compara a conseguir um bom bolo de cenoura ;)