2 de jan de 2011

Sobre porque não gosto muito de violinos

Lá vamos nós. Escolhi o nome, agora é só começar a escrever. Já comecei, na verdade. Rascunhei algumas frases, parágrafos, versos. E algo me diz que talvez eu termine o tal romance até o final de 2011. Bom é ficar deitada na cama com essa chuva na janela. A luz entra lilás através da cortina lilás e tenho mil idéias sobre como colocar no papel o que carrego na cabeça. E no coração. Música sempre ajuda então capricho na trilha sonora. Quero todos os narradores para mim. Um texto fragmentado, não sei. Por que se escreveria um texto fragmentário? Eu sei.

Certa vez me recomenaram um livro muito interessante chamado O Prazer do Texto (Roland Barthes) - leiam! - e pensei que gostaria de escrever O Prazer de escrever, mas é claro que alguém já deve ser feito isso... Seja como for, me disseram recentemente que o que escrevo é literatura e isso me deixou realmente feliz.

Ao escolher a trilha sonora, esbarrei com duas versões de Clair de Lune, belíssima música - já devo ter falado dela em algum momento aqui no blog -: uma no piano e uma no violino. Maria Elisa Cevasco nos falou certa vez sobre como não gostava quando se sentia manipulada por filmes, músicas e afins que queriam nos comover. E nunca tirei isso da cabeça. Para mim é isso o que fazem os violinos, eles nos querem comovidos, envolvidos em sei lá o que dramático. Dos meus sentimentos cuido eu.

Violinos podem ser belos, mas são apelativos, querem arrancar de nós as emoções que lhe interessam. A cena pode ser um velho em seu leito de morte ou um rapaz prestes a pedir a mocinha em casamento. Violinos proporcionam a emoção fácil e barata de um filme hollywoodiano, como Titanic (1997) por exemplo. Aliás, eu nunca entendi qual é a desse filme: nunca vi graça nem me emocionei nem quis ser a Rose. Será que sou alguma aberração? Violinos, para mim, tem o mesmo impacto que um buquê de rosas.

(ah só para constar eu gosto de filmes hollywoodianos...)

Prefiro o som do piano: dá para sentir e saborear as notas sem o apelo sentimental do violino. Não tem o apelo fácil, nem o melodrama, nem qualquer coisa que sugira Titanic & cia. Mas é claro que algumas músicas precisam de violino, como Por una cabeza. Ok, acho que fui muito dura com o violino. Mas acho de verdade que ele não é tudo aquilo que parece - como muitas outras coisas nessa vida. No fim das contas, acho que ele só é superestimado. Como Titanic.

Recomendo: A rosa púrpura do Cairo (1985) de Woody Allen, embora a adorável Mia Farrow seja a eterna Rosemary para mim, e acho que sei extamente o que Cecilia sentia ao assistir os filmes em cartaz. Mas  não recomendo Simplesmente Complicado (2009) de Nancy Meyers - aliás a moda agora é fazer filmes sobre mulheres mais velhas, maduras, bem sucedidas, bem resolvidas, independentes e cozinheiras a procura de um amor que encontram um amor - e já virou clichê: vide Minha mãe quer que eu case (2007). Ou talvez tenha só pego birra de Meryl Streep... Não, realmente achei o filme fraco. Robin Hood (2010) é bonzinho, embora Russell Crowe seja tão expressivo quanto uma caixa de leite. Onde vivem os monstros (2009) de Spike Jonze é realmente muito bom e nos dá uma visão diferente sobre as crianças. Mas um dos melhores filmes que vi recentemente foi Donnie Darko (2001) de Richard Kelly e tem uma trilha sonora fan-tás-ti-ca, incluindo The killing moon (Echo and the bunnymen) e Mad world (Gary Jules)

2 comentários:

Gabriel H Pantoja disse...

Não culpe o violino: de tão belo, foi banalizado.

Triana. disse...

Acho que não gosta porque os notas do violino não são para saborear. Elas são como socos no estômago. São o nó na garganta quando dá aquela vontade de chorar que não conseguimos segurar. Elas são os sentimentos puros e tóxicos, sem qualquer solvente pra deixá-los mais fáceis ou bonitos.

(Talvez aqui seja realmente a Triana falando... A que conheci, me identifiquei e aprendi a amar desde a primeira página de "Violin" de Anne Rice. =)

...e concordo plenamente:
"Não culpe o violino: de tão belo, foi banalizado. "