5 de jan de 2011

Diário: Sobre livros

Por que tenho uma amiga que me manda foto de todos os recém-nascidos cujos pais mandam fotos? Não sei, só sei que me ligar às sete e vinte da manhã por uma bobagem qualquer é realmente triste, não? 

Ontem fui passear com a Charlie. Surtei de manhã: Vou à Livraria Cultura comprar um dos livros do mestrado, vamos comigo? Ela topou e saímos antes da chuva, depois do almoço. E eu me lembrei de como amava a Livraria Cultura - livrarias de modo geral. 

Nem tanto pelos momentos memoráveis já passados em muitas delas, mas pelos livros em si. Quis levar toda a seção de crítica literária e literatura comparada! Mas não deu e eu tinha ido em busca do Schwarz, aliás dois livros dele: Ao vencedor as batatas e Um mestre na periferia do capitalismo. Achei só o primeiro: o segundo só com encomenda na Saraiva, três dias úteis. Quis levar Pound, Candido, Walnice Galvão, Barthes, Raymond Williams, Terry Eagleton, Susan Willis ... Enfim, toda a seção de crítica literária, fazer uma festa lá em casa. E não vou sossegar enquanto não comprar A era das revoluções e A era do capital de Eric Hobsbawn - um dos caras mais legais que conheci na faculdade.

Mas vou ter que sossegar, porque tenho já bastante o que ler: além do Schwarz, comprei também Mulheres de papel de Luis Filipe Ribeiro que eu nem pensava encontrar para comprar. Dei sorte. Voltei feliz com minhas duas aquisições. Abraçava os livros como uma mulher abraça seu amante - de quem era essa citação? As palavras não eram exatamente essas, mas era isso, não era? Ah, Clarice! Já gostei mais dela, hoje gosto mais de outras coisas.

Resdescobri como gosto de crítica literária. E como gosto de escrever  - dois livros prontinhos. Gosto de falar de literatura e a apresentação que fiz sobre minha pesquisa em novembro fez isso ainda mais evidente para mim.

E gosto de literatura. Na fila do caixa da Fnac, a menina na minha frente levava A insustentável leveza do ser do Milan Kundera e isso me fez feliz. Vontade de dizer: Saboreie o livro, mas eu também poderia ter sugerido Risíveis amores, o meu preferido, ou então The Hitchhiking Game, um dos contos mais devastadores do autor que já li.

Seja como for, estes têm sido dias literariamente deveras produtivos. O que é um bom sinal.

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